Mais dois homens somem na Rota dos Milagres, que agora tem 21 pessoas desaparecidas

Publicado em 23/04/2026, às 14h06
Mais dois homens somem na Rota dos Milagres, que agora tem 21 pessoas desaparecidas - Divulgação

TV Pajuçara com informações de Josué Seixas / Folhapress

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Dois homens desapareceram no último domingo, 19, em Passo de Camaragibe, na região que faz parte da Rota dos Milagres, área turística que engloba municípios no Litoral Norte de Alagoas. Agora são 21 pessoas desaparecidas na região desde 2024.

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O Fique Alerta divulgou, nesta quinta-feira, 23, que Carlos Manoel Bezerra da Silva, que tem 20 anos, não foi mais visto depois de sair de casa, de bicicleta, e não mais voltar. A família informou que ele era usuário de drogas, mas disse desconhecer qualquer inimizade ou briga.

Cícero Lins dos Santos, servente de pedreiro, de 27 anos, também mora em Passo de Camaragibe. Cícero saiu de casa dizendo que iria buscar uma galinha e também não retornou para a residência. Parentes confirmaram que ele é usuário de drogas. Cícero tinha ido morar no município há cerca de um mês, segundo a reportagem do Fique Alerta.

O jornalista Josué Seixas, da Folha de S. Paulo, publicou que Carlos Manoel foi visto pela última vez na noite de domingo, após sair de casa. Ele chegou a avisar que dormiria na casa da namorada, o que não se confirmou. Horas depois, moradores relataram disparos de arma de fogo na região do Jagatá, onde ele teria sido visto pela última vez.

Já Cícero Lins dos Santos Júnior desapareceu após sair de uma residência em Passo de Camaragibe. Segundo familiares, ele havia recebido o primeiro pagamento em um novo trabalho um dia antes e, no domingo, saiu para pegar uma galinha, não sendo mais visto desde então.

A TV Pajuçara contabiliza, desde 2024, 21 desaparecimentos na região da Rota dos Milagres. A maioria dessas pessoas que sumiram tem entre 20 e 30 anos. Até o momento, a polícia encontrou três corpos. A Secretaria de Segurança Pública disse que os casos têm a ver com tráfico de drogas e facções criminosas que estão na região.

Segundo a Folha, a versão da SSP é negada por familiares contatados pela reportagem. A vinculação dos filhos a facções trouxe desespero às mães. Sob condição de anonimato, um grupo de cinco mães falou com a reportagem da Folha e três confirmaram que os filhos eram usuários de maconha, enquanto um utilizava crack, e uma negou qualquer uso de substâncias ilícitas.

As cinco reiteraram que os filhos não tinham relação com o crime organizado e sequer tinham respondido anteriormente por crimes na Justiça. Por trabalharem, parte dos jovens teria apresentado certificados criminais de nada consta aos empregadores.

Elas reclamaram, ainda, da falta de apoio das instituições, afirmando que nunca foram procuradas pelo poder público para falar a respeito dos desaparecimentos, cita a Folha. Sem amparo jurídico e psicológico, elas dividem a mágoa umas com as outras. Parte das mães decidiu sair das cidades por conta das ameaças que recebiam quando falavam publicamente sobre os filhos. Os contatos eram feitos por meio de perfis anônimos nas redes sociais.

Para elas, o ciclo não está fechado, já que não tiveram a oportunidade de encontrá-los ou de enterrá-los com dignidade, revivendo o sofrimento diariamente.

Na oportunidade, o secretário-executivo de Políticas de Segurança Pública, coronel Patrick Madeiro, afirmou que o poder público atua para dar resposta aos desaparecimentos. "É de interesse da segurança pública encontrar essas pessoas. Por mais que seja doloroso para a família, são pessoas que têm um vínculo com a criminalidade, ou através de traficantes ou usuários de drogas", disse.

"Nós montamos uma equipe de inteligência para aquela região e temos outras medidas que ainda não foram divulgadas, mas que já existe um inquérito de crime organizado voltado ao enfrentamento a essa modalidade criminosa de facções criminosas, do Comando Vermelho e do PCC", acrescentou.

O coordenador do setor de desaparecidos em Alagoas, Ronilson Medeiros, afirmou que é necessária uma rede de apoio aos familiares, com apoio assistencial, psicológico e jurídico. "Nós conduzimos uma investigação sem julgamentos, cujo objetivo é encontrar pessoas."

O Ministério Público do estado informou ter requisitado os boletins de ocorrência relativos aos desaparecimentos, assim como "informações a respeito dos respectivos inquéritos policiais instaurados, com o objetivo de garantir a devida apuração dos fatos".

Veja abaixo o levantamento da Folha de S. Paulo sobre 16 dos 21 desaparecidos:

Em São Miguel dos Milagres:

Em Porto de Pedras:

Em Passo de Camaragibe:

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