Mais que acarajé: o universo de sabores do Okán

Publicado em 05/09/2025, às 08h45
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Nide Lins

Conheci Dan em plena pandemia. Ele, arquiteto cheio de sonhos, viu os projetos pararem e, para não ficar parado, lembrou da sua arte antiga: o acarajé que preparava para os ensaios de Coletivo Afro Caeté. Eu, jornalista, pedi um delivery de acarajé congelado e dali nasceu amizade, fã e cliente do Ọkàn. Hoje, o sonho de Dan ganhou endereço físico na Amélia Rosa: o Ọkàn Acarajé & Co, onde o dendê brilha, o abará perfuma e até os veganos encontram delícias. Ah, e o ritual da casa começa com um shot de xequeté ( bebida afro à base de maracujá, gengibre, cravo e canela), pura energia para abrir os caminhos.

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Por onde começar: BALAIO DE ACARAJÉS E ABARÁS:Um combo arretado: 4 mini acarajés crocantes e 4 mini abarás macios, servidos com vatapá, caruru, picles de cebola roxa e camarões defumados. Perfeito para compartilhar sabores e boas conversas.

O abará — mesma massa do acarajé, mas cozida no vapor, embrulhada na palha da bananeira. Uma tradição baiana que encontrou morada afetiva em Alagoas. O dele vem temperado com pó de camarão defumado, gengibre, cebola, coentro, amendoim, castanha de caju e dendê, recheado com camarões inteiros vindos direto dos pescadores do Pontal de Coruripe.  Na versão vegana, Dan não economiza criatividade: a massa recebe gengibre, cebola, pimenta de cheiro, coentro, amendoim e castanha de caju, com recheio de moqueca de caju. Sabor surpreendente e cheio de ancestralidade.É axé puro, cheio de aroma e história.

 

MARUJADA: Ceviche de peixe fresco do dia, marinado no nosso leche de tigre. Um mergulho nos sabores do mar, com toque de pimentas, abacaxi maduro e leite de coco. Leveza e doçura em cada garfada.

NOQUE DE BANANA COM CAMARÕES E CALDO DE MOQUECA: A doçura natural da banana virou noque, que vem mergulhado em um cremoso caldo de moqueca. Para completar, camarões selados no azeite de coentro. Um prato quente e tropical, onde a fruta encontra o mar.

Costelinha de Porco no Xerém - a carne de porco desfiada, cozida lentamente com cerveja stout, especiarias e ervas que despertam memórias. Servida sobre um xerém de milho cremoso e amanteigado, finalizada com couve crocante.

De sobremesa, aposte nos Bolinho de Estudante, um clássico da comida de rua baiana. Feitos com tapioca, coco e leite condensado, são fritos até ficarem douradinhos por fora e macios por dentro. Finalizados com açúcar e canela, chegam à mesa acompanhados de um cafezinho.
Já o Castelinho é a versão caprichada do chef Dan para os bolinhos de estudante: servidos sobre uma cama de doce de leite, acompanhados de sorvete de coco e farofa de cocada. Crocante, cremoso, gelado e quente — uma sobremesa que brinca com todos os sentidos.

O tabuleiro de Dan também guarda outras preciosidades. As geleias artesanais, feitas sem conservantes e com frutas da estação, são finalizadas em processo caseiro de pasteurização. Entre as mais pedidas: morango, pimenta, laranja, limão siciliano, manga com maracujá, abacaxi com hortelã e a minha preferida, a de goiaba. E tem mais: as cocadas da avó Zilda, receita de família, feitas com leite de vaca natural, sem aditivo químico. Crocantes por fora, macias por dentro e com aquele doce de leite de verdade que derrete no céu da boca.

Quem é Dan: Por trás do Ọkàn está Daniel Toledo, arquiteto que não cursou gastronomia, mas carrega nas mãos a herança de mulheres fortes: sua avó Zilda, mulher do campo e guardiã de saberes, e sua ialorixá, a chef Mãe Neide. “O acarajé e o xequeté vêm da minha matriz africana, das vivências no terreiro. São as estrelas da Okàn”, conta.  No coração do Dan, o dendê virou poesia, e o Ọkàn é mais que um restaurante: é memória, afeto e resistência servidos no prato.

OKAN
Preços: R$ 18,00 até R$ 104,00
Quarta a sexta das 16h às 00h/sábado e domingo das 12h às 00h.

Rua Doutor Antônio Gomes de Barros 172 B, Maceió,

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