Gabriel Amorim
O CRB divulgou, na tarde desta quarta-feira (4), uma entrevista com o presidente Mário Marroquim e o vice-presidente Eduardo Marinho. A manifestação ocorre em meio ao desempenho abaixo do esperado no Campeonato Alagoano, especialmente após a derrota por 3 a 0 para o ASA.
Após o revés, o técnico Eduardo Barroca chegou a comentar que a diretoria concederia entrevista coletiva para explicar a formação do elenco e "descomprimir a expectativa externa". Na fala divulgada pelo clube, Marroquim foi direto ao analisar o desempenho da equipe e afirmou que todos precisam assumir responsabilidade.
A gente tem que puxar a responsabilidade para a diretoria, treinador, diretor de futebol e elenco inteiro. Não jogaram nada", disse o presidente.
Marroquim destacou que é preciso ter "seriedade" e afirmou que, se o rendimento contra o ASA se repetir, o clube não conquistará o pentacampeonato estadual.
Jogando o que jogou contra o ASA, a gente não ganha o penta. Tem que acordar, dar uma chacoalhada, fazer o que tem que ser feito e ter seriedade. Entender que o campeonato é importante, gera calendário para o ano que vem. Não tem conversinha, tem que jogar", afirmou.
O dirigente revelou ainda o recado dado diretamente ao elenco, com cobrança também fora de campo.
A fórmula é ter seriedade. É acordar e não ter salto alto. Todo mundo se cuidar mais, se cuidar no extracampo. Foi o recado dado aos jogadores: se cuidem, se preservem.
Questionado sobre o planejamento da temporada, o vice-presidente Eduardo Marinho afirmou que, até o momento, não houve mudanças e destacou a confiança no elenco montado.
Contratações específicas vêm de lesões e situações específicas, mas o planejamento continua o mesmo, com confiança no elenco que foi montado, para que a gente disputasse a competição e pudesse chegar a mais uma final para disputar esse penta inédito", falou.
Para a Série B, o dirigente confirmou que o clube buscará reforços, mas ressaltou que as movimentações serão feitas dentro da realidade financeira.
Marroquim também explicou como o CRB utilizou os recursos recebidos da Liga Forte União (LFU), repassados ao longo de três anos. Segundo ele, parte do valor foi destinada a investimentos estruturais e outra parte à adequação salarial, diante da inflação do mercado.
Todos os clubes receberam recursos da Liga, o mercado inflacionou. Com mais dinheiro circulando, os salários subiram. Hoje vivemos um problema de inflacionamento salarial causado por esse dinheiro injetado", explicou.
O presidente detalhou os investimentos realizados pelo clube.
O CRB teve muito cuidado com esse dinheiro. Investimos bastante no CT, reformamos campos, departamento médico e academia. Compramos ônibus e van. A parte de irrigação, frigobar, câmara fria, toda a parte da cozinha. A parte de mobiliário também. Investimos nos móveis, trocamos, colocamos ar-condicionado e camas novas. Está um brinco. O Casarão também, que estava fechado.
Segundo Marroquim, outra parte do recurso foi usada para acompanhar o aumento salarial do mercado, citando que, em 2021, o zagueiro Gum recebia cerca de R$ 30 mil, valor que, hoje, seria incompatível com a realidade do futebol nacional.
Se não fosse o dinheiro da Liga, ninguém conseguiria sobreviver. Entramos numa roda viva de valores salariais. Os salários subiram, acabou o dinheiro da Liga e os salários não voltaram à realidade.
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