Mauro Lopes diz que não teme ser expulso do PMDB por aceitar ministério

Publicado em 17/03/2016, às 16h30
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Redação

Ameaçado de ser expulso do PMDB por contrariar a decisão do partido para que nenhum filiado assuma cargos na administração federal até que o diretório nacional decida se o PMDB deixará o governo e entregará todos os cargos que detém, o novo ministro da Secretaria da Aviação Civil (SAC), Mauro Lopes, disse estar tranquilo e não temer a expulsão.

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“O conflito que houver no PMDB eu vou ter habilidade [para resolver]”, disse o ministro, ao fim da cerimônia de transmissão do cargo, em Brasília, hoje (17).

Lopes ressaltou que sempre respeitou as normas do PMDB e que as “divergências” são naturais em um momento político como o atual, principalmente no seio de um “partido grande, com pensamentos diversos e liberdade de expressão e pensamento”.

“O PMDB tem, sim, dois lados, mas posso dizer que a maioria me conhece, sabe da minha idoneidade e de minha lealdade com o partido. Estou pronto a aguardar qualquer decisão do partido e fazer os devidos esclarecimentos”, afirmou o ministro. Ele esclareceu que foi indicado para a SAC pelo líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ).

Perguntado se o governo Dilma teria condições políticas de conciliar os “dois lados” do PMDB e conter a debandada no partido, Lopes respondeu que a legenda é “o partido da governabilidade”. “Essa conciliação vai ocorrer internamente. Neste momento difícil que o Brasil está passando, temos que pensar no país, na reorganização, na geração de empregos, na retomada do setor produtivo. E o PMDB sempre foi o partido das horas difíceis. O PMDB participou de todos os governos”, acrescentou o ministro.

Em relação à escolha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chefiar a Casa Civil, Mauro Lopes disse que, “afastadas as divergências políticas e deixando-o trabalhar em prol do Brasil”, Lula ajudará o país a superar as atuais dificuldades econômicas.

Lopes e Lula foram empossados na manhã desta quinta-feira pela presidenta Dilma Rousseff, em cerimônia no Palácio do Planalto.

Enquanto o evento transcorria, o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto, da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, atendeu a uma ação popular e suspendeu, em caráter liminar, ou seja, temporário, a posse de Lula na Casa Civil, ou em “qualquer outro que lhe outorgue prerrogativa de foro”.

Para Catta Preta, a posse de Lula implicaria “intervenção direta, por ato da presidenta da República, em órgãos do Poder Judiciário, com o deslocamento de competências”, o que, “ao menos, em tese, pode indicar o cometimento ou tentativa de crime de responsabilidade”.  “A judicialização [da política] é um problema do Poder Judiciário. Eu aqui, agora, vou cuidar do meu trabalho”, respondeu o ministro.

Cabe recurso da decisão liminar, e a Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que vai recorrer.

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