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Metade de uma vaca é vendida por R$ 3,99 mi em leilão em Uberaba

Publicado em 04/05/2022, às 17h39
Expozebu -

Redação

Principal evento da pecuária do país, a Expozebu, em Uberaba, historicamente comercializa animais por preços que superam R$ 1 milhão, mas em 2022 um leilão vendeu metade de uma vaca nelore por R$ 3,99 milhões.

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O valor coloca o negócio atrás apenas da vaca Parla, negociada em um leilão em 2021 por R$ 7,8 milhões (preço integral pelo animal, equivalente a cerca de R$ 8,65 milhões hoje, corrigido pela inflação). Além dela, outros dois animais foram vendidos por preços milionários, o que já faz a ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), organizadora do evento, projetar a maior movimentação financeira da história neste ano, quando a feira retoma as atividades presenciais depois de dois anos devido à pandemia da Covid-19.

O preço médio dos animais comercializados desde a última semana em 15 leilões foi de R$ 70,26 mil, 85,5% acima dos R$ 37,85 mil do ano passado. Embora a Expozebu não tenha sido realizada em 2020 e 2021, os leilões ocorreram de forma virtual. Ainda restam 18 eventos do gênero na cidade mineira.

A fêmea Viatina-19, da Casa Branca Agropastoril e do Nelore Mara Móveis, teve metade de sua propriedade vendida por R$ 3,99 milhões no leilão Elo de Raça, o que significa que seu valor integral chega a R$ 7,98 milhões. O comprador foi a Agropecuária Napemo, de Uberaba. Os outros 50% do animal seguem com a Casa Branca.

Viatina-19 nasceu em 17 de janeiro de 2019, tem 39 meses de idade e é filha de Landau da Di Gênio, que em 2018 teve 50% de seus direitos vendidos por R$ 1,26 milhão. Também filha de Landau, Sophie Ourofino foi comercializada por R$ 1,59 milhão num leilão virtual em 2021.

Animais como a Viatina-19, grande campeã na Expoinel Minas de 2020 a 2022 e que concorre ao título na Expozebu, são extremamente valorizados no mercado por terem consistência genética, pedigree consagrado e características produtivas que vão se refletir no campo, segundo o veterinário Heitor Lutti Pinheiro Machado, assessor pecuário da Casa Branca Agropastoril.

"[Os leilões] São como a F1 do gado. Isso aqui é como se fosse o máximo da eficiência, até chegar no boi que a gente come todo dia. O animal tem de ser eficiente, ganhar muito peso, ter conformação de carcaça bonita, com dorso longo forte e posterior revestidos de carne, que é onde estão as carnes nobres", afirmou.

Além dela, outros animais tiveram valorização milionária na cidade do Triângulo Mineiro neste ano. A vaca Egípcia Fiv Machadinho teve dois terços dela vendidos por R$ 1,75 milhão. Já a fêmea Trufa 1 Fiv da SJ alcançou R$ 900 mil por 50% de sua propriedade.

O objetivo do melhoramento é que o animal transfira a genética aos seus descendentes e que eles produzam mais carne em menos tempo e menor espaço, o que significa maior lucratividade aos pecuaristas.
Presidente da ABCZ, Rivaldo Machado Borges Júnior disse os leilões têm ido bem porque o mercado está muito aquecido.

"Está sendo o recorde dos recordes. A gente esperava um bom desempenho porque o mercado está muito forte, a proteína está valorizada e a exposição em si também. O público estava com saudade de participar. O produtor está vendo de forma presencial, o que ajuda a avaliar, ajuda em tudo", afirmou.

De acordo com ele, a comparação com 2019, última edição presencial, faz com que as vendas de agora sejam mais de 200% maiores, mas os dois últimos anos, com eventos virtuais, tiveram muita importância para a associação e a pecuária.

"Tivemos um crescimento histórico na ABCZ nesses dois anos. Conseguimos trazer para a entidade mais de 1.500 novos sócios." A entidade tem cerca de 25 mil pecuaristas associados.

Entre os leilões que ainda serão realizados está a Noite dos Campeões, nesta terça-feira (3), que tradicionalmente tem média alta de valores.

Nos 15 leilões já realizados, o valor total arrecadado foi de R$ 39,27 milhões. Na mesma época do ano passado, os leilões tinham arrecadado R$ 19 milhões -neste ano, porém, houve mais leilões no período.

Em 2021, foram arrecadados R$ 67,53 milhões, incluindo os shoppings de animais, cujos valores só são incorporados ao faturamento no final da feira pecuária.

CUIDADOS - A venda de Viatina-19 só ocorreu após muita disputa no leilão Elo de Raça. Quando o preço global do animal atingiu R$ 6 milhões ainda havia sete possíveis arrematadores na disputa.
Animais como ela normalmente ficam em piquetes mais espaçados nas fazendas, e não soltos aleatoriamente no pasto.

"Mas temos de deixá-los no ambiente mais natural possível, que é onde eles ficam bem", disse o veterinário.

Normalmente caminham e tomam banhos diariamente, além de receberem uma série de cuidados para que se apresentem mais bonitos no dia da pista.

"Essa fêmea vai produzir N embriões e o comprador vai comercializar. Ela se paga rapidamente, ninguém investe simplesmente por investir. A importância da ABCZ é o melhoramento genético. O animal é valorizado por ter acabamento de carcaça muito bom, por uma tecnologia muito avançada", afirmou o presidente da ABCZ.

Agora, os dois sócios da vaca vendida com preço recorde devem se reunir para definir a estratégia comercial do animal. Custos de produção e faturamento são divididos em partes iguais, já que cada um tem 50% da propriedade.

A Expozebu projeta R$ 300 milhões em negócios até o próximo sábado (8), incluindo os leilões de gado e shoppings.

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