Redação EdiCase
Em um mercado cada vez mais acelerado e competitivo, a busca por desempenho constante tem imposto um peso silencioso à rotina profissional: a transformação de ambições legítimas em metas difíceis de sustentar. Um levantamento do LinkedIn ilustra esse cenário ao revelar que 87% dos profissionais brasileiros se sentem sobrecarregados diante do ritmo acelerado das mudanças no mercado de trabalho, e quase metade teme perder espaço.
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Para Rennan Vilar, Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional, esse movimento revela uma distorção na forma como as metas profissionais vêm sendo construídas. “Existe uma ideia muito difundida de que quanto mais ambiciosa for a meta, melhor. Mas quando ela não considera o contexto, os limites e o momento de vida da pessoa, deixa de ser um estímulo e passa a ser um fator de adoecimento”, afirma.
Um dos principais problemas, segundo Rennan Vilar, está no modo como os objetivos de carreira são definidos. Em muitos casos, eles nascem mais da comparação com outras pessoas ou da pressão do mercado do que de um planejamento individual consciente.
“É comum vermos profissionais estabelecendo metas baseadas no medo — medo de perder espaço, de não ser promovido, de parecer menos competente. Quando a motivação vem exclusivamente da insegurança, o risco de esgotamento aumenta muito”, explica. Entre os erros mais frequentes ao traçar metas profissionais, ele destaca:
Nem toda meta difícil é, necessariamente, prejudicial. O desafio, segundo o executivo, está em diferenciar aquilo que estimula desenvolvimento daquilo que apenas aumenta a pressão. “Uma meta saudável desafia, mas também oferece aprendizado, margem de ajuste e senso de progresso. Já a meta adoecedora costuma vir acompanhada de culpa constante, sensação de insuficiência e medo permanente de falhar”, pontua.
Alguns sinais de alerta ajudam a identificar quando um objetivo está mais conectado à cobrança externa do que a um plano sustentável:
O atual cenário de instabilidade econômica e mudanças rápidas no mercado de trabalho também influencia diretamente a forma como as pessoas estabelecem seus objetivos. Diante da insegurança, muitos profissionais passam a aceitar metas irreais ou a assumir responsabilidades excessivas como estratégia de autoproteção.
“Nesse contexto, decisões impulsivas se tornam comuns. A pessoa diz ‘sim’ para tudo, assume mais do que consegue sustentar e adia o cuidado consigo mesma”, avalia Rennan Vilar. Para evitar esse movimento, ele recomenda pausas estratégicas para reflexão e planejamento. “Nem toda oportunidade precisa ser agarrada imediatamente. Avaliar impacto, riscos e coerência com o próprio momento é parte de uma carreira saudável”.
Para que os objetivos de carreira sejam ambiciosos sem comprometer a saúde emocional, alguns critérios são fundamentais. De acordo com o executivo, um bom plano profissional precisa considerar:
“Metas sustentáveis não são aquelas que nos levam ao limite, mas as que conseguimos sustentar ao longo do tempo, com consistência e equilíbrio”, resume.
Além de definir bem os objetivos, Rennan Vilar reforça a importância de revisá-los periodicamente. Pequenos ajustes no dia a dia podem evitar que metas bem-intencionadas se transformem em fontes de desgaste. Entre os hábitos que ajudam a manter o equilíbrio, ele cita:
“Crescimento profissional não precisa ser sinônimo de exaustão. Quando metas respeitam a realidade e os limites das pessoas, elas deixam de ser um peso e passam a ser um caminho possível de desenvolvimento”, conclui.
Por Nayara Campos
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