Leonardo Volpato / Folhapress
"Nunca aceitei um 'não tem mais o que fazer'." Foi com essa determinação que Henrique Fogaça, 52, enfrentou o que considera a sua maior missão: buscar alternativas para oferecer mais qualidade de vida à filha Olívia, 19, que nasceu com uma síndrome rara até hoje não identificada pelos médicos e que causa limitações motoras e frequentes convulsões.
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Conhecido pelo rigor na cozinha e pela postura firme como jurado do MasterChef (Band), o chef diz que foi justamente a menina quem revelou um lado seu que pouca gente conhecia --o de um pai que aprendeu a desacelerar, celebrar pequenas vitórias e transformar o cuidado em uma demonstração diária de amor.
Ao longo dos últimos anos, Fogaça estudou tratamentos, conversou com especialistas e ouviu outras famílias para encontrar caminhos que pudessem melhorar a rotina da menina.
Mas não foi fácil. "No caminho, encontrei muita desinformação, burocracia e preconceito", comenta. Hoje, comemora avanços proporcionados por alternativas como o óleo medicinal de cannabis e a dieta cetogênica, mas afirma que a maior recompensa é ver a herdeira mais confortável e participativa.
Desde julho, quando ela passou a morar com ele, o chef acompanha ainda mais de perto cada etapa desse processo, inclusive preparando as papinhas que fazem parte da reintrodução da alimentação por via oral.
"Preparar as papinhas não é só cozinhar, é participar ativamente de uma etapa importante do desenvolvimento dela", afirma. "É muito gratificante poder estar presente nesses momentos e acompanhar de perto cada pequena evolução."
A paternidade vai muito além dos desafios impostos pela condição de Olívia. Pai de João, 18, e de Maria, 10, ele diz que procura construir com cada um uma relação baseada em presença, liberdade e incentivo para que encontrem seus próprios caminhos.
"Tenho orgulho do caminho que o João está construindo. Se vai seguir meus passos na gastronomia ou não, isso é uma escolha dele. O mais importante é que encontre algo que faça com verdade, dedicação e propósito", comenta.
Já a caçula, segundo ele, trouxe outra perspectiva para a família. "A Maria me ensina a leveza. Ela está numa fase muito gostosa da infância, cheia de descobertas, curiosidades e energia. Adoro acompanhar tudo isso e viver esses momentos simples ao lado dela."
Nesse Dia dos Pais, ao olhar para os três filhos, o chef diz que cada um contribuiu para moldar quem ele é hoje. Enquanto João o surpreende pela maturidade e pela personalidade que vem construindo, foi Olívia quem lhe mostrou que força também significa saber esperar.
"Ela me ensinou que força nem sempre é seguir em frente sem sentir. Força também é ter paciência, respeitar o tempo das coisas e nunca perder a esperança. O amor que tenho por ela me fez entender que cuidar também é um ato de coragem", reflete.
Esse aprendizado, segundo ele, também mudou a maneira de enfrentar as dificuldades. Em vez de alimentar o medo diante das incertezas, diz preferir concentrar energia naquilo que pode fazer.
"Existe uma preocupação permanente com a saúde, com o futuro e com a qualidade de vida dela. Mas procuro não viver preso ao medo. Prefiro buscar os melhores tratamentos e aproveitar cada momento com a Olívia."
Para o Dia dos Pais, a programação não envolve grandes celebrações. Fogaça diz que o maior presente continua sendo reunir os filhos em volta da mesa. "Gosto das coisas simples: cozinhar para eles, conversar, dar risada, sair para passear. Poder reunir meus filhos e aproveitar esse tempo com eles é o melhor presente que eu poderia receber", diz.
Ao falar sobre os desafios da paternidade e o legado que pretende deixar, é direto. "Ser pai não vem com manual, mas nunca faltou dedicação. Quero que meus filhos saibam que sempre puderam contar comigo, que fiz de tudo para vê-los felizes e preparados para a vida."
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