Moro admite que investigações da Lava Jato produzem instabilidade política

Publicado em 09/04/2016, às 23h58

Redação

O juiz federal Sergio Moro admitiu em evento na noite desta sexta-feira (9), em Chicago, que as investigações da Operação Lava Jato estão criando instabilidade política, mas ressaltou que não se pode esconder as coisas "embaixo do tapete" e que a justiça criminal não pode resolver todos os problemas do país.

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— A Lava Jato tem trazido impactos significativos, alguns falam até em impactos econômicos. Não sei o alcance, mas inegavelmente há instabilidade política decorrente da investigação. (...) As instituições democráticas estão bem, estão funcionando, a Justiça está bem.

Moro frisou que há um problema econômico "muito sério" no Brasil e o quadro de recessão é preocupante. O importante, disse ele, é trabalhar para que as instituições no país melhorem e que a democracia não seja contaminada pela corrupção sistêmica. Para ele, um investidor estrangeiro ficaria relutante em aportar recursos em um país onde a corrupção é a regra do jogo, presente tanto no setor público como privado.

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Moro afirmou que o Brasil teve situações no passado mais difíceis que a atual e citou o período militar.

— Tivemos uma ditadura militar que obscureceu a democracia por décadas, mas a democracia no final se autoafirmou.

Ele citou ainda o período de hiperinflação, onde se convivia com taxas mensais de dois dígitos.

Ainda na palestra, Moro afirmou que as investigações da Lava Jato têm sofrido "acusações e ataques severos", mas ressaltou que não vê outra opção que não seguir no combate à corrupção. O Brasil, porém, precisa fortalecer as instituições e não confiar só na Justiça.

— Não vamos conseguir aprofundar nosso estado de direito e nossa democracia pelo sistema de Justiça Criminal.

O juiz ressaltou que é preciso se empenhar para que esses casos não se repitam e voltem a situação anterior, de corrupção como prática comum.

— Corrupção não é um sistema só do governo, mas também da iniciativa privada.

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