MPF investiga convênio que usa metodologia militar em escolas baianas

Publicado em 22/09/2018, às 10h25
Reprodução Correio 24 horas -

Correio 24 horas

O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para entender melhor o convênio entre a União dos Municípios da Bahia (UPB) e o Governo do Estado para implantar os métodos educacionais dos Colégios da Polícia Militar (CPM) em escolas municipais no interior baiano. O convênio prevê a contratação de militares reformados, sem concurso público, para desempenhar funções nas escolas.

LEIA TAMBÉM

Segundo o MPF, o inquérito civil foi instaurado no dia 10 de setembro pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) para obter mais informações sobre a citada política pública e avaliar seu embasamento técnico, a forma de implantação e suas possíveis consequências.

No dia 10 de maio, a UPB divulgou em seu site que o termo de acordo de cooperação técnica para a cessão da metodologia educacional do CPM aos municípios havia sido assinado e justificou que a parceria foi firmada porque os colégios militares tiveram desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb) superior aos demais colégios públicos.

Contudo, para o procurador regional dos Direitos do Cidadão na Bahia, Gabriel Pimenta Alves, o desempenho escolar dos alunos está relacionado a diversos fatores. Ele afirma que estudos recentes do IBGE indicam que o principal desses fatores nas redes públicas brasileiras é o grau de instrução das mães dos alunos.

O procurador acredita que existem variáveis muito complexas sobre o assunto e não conhece nenhum estudo que confirme se, de fato, a melhor colocação dos colégios da PM no Ideb é decorrente da metodologia e filosofia das unidades escolares.

Para ele, é necessário analisar fatores socioeconômicos e até a estrutura oferecida que os colégios oferecem aos alunos.

“A desejada melhora do ensino público deve ser buscada com apoio em estudos e projetos pedagógicos, e com observância da Constituição Federal, a qual, no artigo 206, estabelece que o ensino será ministrado com base na liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber (Inciso II), no pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas (Inciso III) e na gestão democrática do ensino público (Inciso VI)”, lista o procurador.

Em nota, a UPB afirmou que foi procurada por prefeitos que têm interesse em projetos que repercutem a favor da diminuição da violência e do assédio das drogas. O órgão ainda afirma que “cumpre sua função institucional de aproximar o diálogo dos municípios com os Colégios Militares da Bahia, sem se imiscuir em aspectos técnicos e pedagógicos, próprios do âmbito educacional que deverão ser tratadas entre cada secretaria municipal de Educação e a PM Bahia”.

A reportagem do CORREIO entrou em contato com a Secretaria de Educação do Estado da Bahia. A pasta afirmou que esse posicionamento cabe à Polícia Militar. A equipe também procurou a Secretaria de Segurança Pública e esta informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Vereador por cidade no RJ relata tentativa de homicídio em casa Mulher morre ao ser lançada sem corda de 'rope jump' no interior de São Paulo "Vovô Anésio", idoso que viralizou com vídeo sobre cachaça, morre aos 88 anos Conheça o idoso de 102 anos que dirige e malha cinco vezes por semana