Mulheres arretadas

Publicado em 08/03/2025, às 13h14
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nide Lins

8 de março, Dia Internacional da Mulher, é um momento de reafirmar o NÃO a toda e qualquer violência contra nós, mulheres. É um dia de luta por direitos, respeito ao nosso corpo, à nossa vida. Dito isso, lembro que houve um tempo em que a cozinha era território exclusivamente feminino, considerada uma "prenda doméstica", sem qualquer remuneração. Mas o mundo mudou. Hoje, os homens também estão nas cozinhas – e nós estamos em todas as profissões. Afinal, como se diz, lugar de mulher é onde ela quiser, e para ser feliz. Neste dia histórico, escolhi duas mulheres para homenagear todas as chefs, confeiteiras e donas de botecos que, com muita garra, conquistaram seu lugar ao sol e em nossos corações: Simone Bert, do Wanchako, e Rose Moreno, do Sá Menina.
Simone, primeira mulher chef do restaurante peruano no Brasil
 
As tatuagens da alagoana Simone Bert escondem queimaduras e cortes, marcas do dia a dia intenso da cozinha. Porque comandar as caçarolas não é só glamour – nos bastidores há calor, fogo, facas afiadas e longas horas em pé. Mas quem ama ser cozinheira faz do ofício um prazer. Simone foi a primeira chef de Maceió a ganhar projeção nacional. Os críticos gastronômicos escreviam: "Não precisa ir a Nova York para comer um ceviche, Maceió tem o Wanchako." Assim, seu restaurante peruano, que valoriza nossos frutos do mar, tornou-se um dos cartões-postais da cidade, sob a batuta dessa alagoana arretada.
 
Rose da Sá Menina, de vendedora de sanduíches a dona do seu restaurante
 
Rose é Roseclea Moreno, paulista que conheceu Maceió como turista. Administradora de formação, encantou-se pela cidade e decidiu mudar para cá. Veio sem emprego e deixou o namorado (hoje marido, Silvio) em São Paulo. Nos primeiros quatro meses, não conseguiu trabalho e, assim, começou a trilhar o caminho da gastronomia. Vendia sanduíches na praia e logo fazia sucesso, comercializando até 120 por dia. Percebeu que cozinhar bem não bastava: era preciso conhecimento em gestão. Apostou no Empretec e em várias consultorias do Sebrae, formou-se em Gastronomia em Recife – no maior sufoco, indo à capital pernambucana de segunda a sexta e voltando para tocar o Sá Menina nos fins de semana.
 
Alagoana de coração, Rose esteve duas vezes na França para se aprofundar na confeitaria, considerada a melhor do mundo: primeiro em Paris, depois em Nice, na região do Mediterrâneo. Seu pudim é a doçura certa para afastar a amargura da violência contra nós – pelo simples fato de sermos mulheres.
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