Não é vingança nem manha: 7 comportamentos dos gatos interpretados errados e que podem indicar questões de saúde

Publicado em 26/08/2026, às 18h00
- O comportamento pode dizer muito sobre a saúde do gato (Imagem: Cultura Creative | Shutterstock)

Redação EdiCase

Os gatos costumam ser associados à independência e à capacidade de cuidar de si mesmos. Essa característica, porém, pode fazer com que alguns sinais importantes, como desconforto, medo ou estresse, passem despercebidos pelos tutores.

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“Um gato que passa a se esconder mais, mia de maneira diferente, evita contato, demonstra irritabilidade ou apresenta alterações no uso da caixa de areia não está necessariamente fazendo ‘manha’. Esses comportamentos podem estar relacionados a mudanças ambientais, estresse, necessidades não atendidas ou até problemas de saúde que precisam de avaliação veterinária”, alerta Flávio Barca, médico-veterinário e coordenador do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera.

Por isso, é importante conhecer minimamente a linguagem comportamental dos felinos, a fim de identificar quando é necessário procurar ajuda profissional. “Conviver com um gato exige aprender a observar pequenas mudanças. Nem todo comportamento diferente significa doença, assim como nem todo comportamento aparentemente estranho é ‘manha’. O mais importante é olhar para o conjunto: o que mudou, quando mudou e quais outros sinais apareceram ao mesmo tempo?”, alerta.

Além disso, é essencial evitar diagnósticos por conta própria. “Comportamentos semelhantes podem ter causas completamente diferentes, e somente um médico-veterinário poderá avaliar adequadamente a saúde do animal”, destaca Flávio Barca.

Abaixo, o médico-veterinário aponta erros ao interpretar o comportamento do gato. Confira!

1. Interpretar o isolamento apenas como “jeito do gato”

É verdade que muitos gatos gostam de momentos de tranquilidade e de ter espaços próprios. Porém, quando um animal que costumava interagir passa a se esconder com frequência ou a evitar sistematicamente pessoas e outros animais, é importante observar a mudança. O isolamento pode estar relacionado a medo, estresse ou desconforto físico. Gatos também podem esconder sinais de doença, e uma alteração repentina no comportamento merece atenção.

2. Confundir agressividade repentina com “mau comportamento”

Arranhar ou morder pode fazer parte do comportamento natural dos gatos, especialmente durante as brincadeiras. Entretanto, uma mudança repentina de comportamento, principalmente em um animal que antes era dócil, não deve ser automaticamente interpretada como agressividade ou falta de educação.

Dor, medo, estresse e situações que provocam insegurança podem modificar a maneira como o gato reage ao contato. Se o comportamento for novo, frequente ou intenso, uma avaliação veterinária pode ajudar a investigar possíveis causas.

3. Considerar que miados excessivos são apenas uma tentativa de chamar atenção

Cada gato possui uma forma própria de se comunicar, e alguns são naturalmente mais vocais. O problema está quando a vocalização muda de frequência, intensidade ou padrão. Miados persistentes podem estar relacionados à busca por atenção, fome, alterações ambientais, estresse ou outras necessidades. Em determinados casos, também podem acompanhar problemas de saúde.

Em vez de apenas impedir o gato de arranhar determinados locais, é importante oferecer alternativas adequadas (Imagem: New Africa | Shutterstock)

4. Considerar arranhaduras apenas como destruição

Arranhar é um comportamento natural e importante para os gatos. Além de contribuir para a manutenção das unhas, também está relacionado à comunicação e à marcação do território. O problema não é o gato arranhar, mas quando o tutor tenta simplesmente impedir esse comportamento sem oferecer uma alternativa adequada.

Por isso, disponibilize arranhadores em locais estratégicos, especialmente próximos aos espaços que o gato costuma frequentar. Se houver uma mudança muito intensa no comportamento de arranhar, também vale observar se existem alterações no ambiente que possam estar gerando estresse.

5. Tratar alterações na caixa de areia como “vingança”

Esse talvez seja um dos erros mais importantes. Quando um gato começa a urinar ou defecar fora da caixa, interpretar imediatamente o comportamento como vingança ou desobediência pode fazer com que uma necessidade importante seja ignorada.

Alterações no uso da caixa podem estar relacionadas a problemas de saúde, estresse, mudanças no ambiente, localização inadequada da caixa, tipo de areia ou questões relacionadas à própria rotina do animal.

Uma alteração persistente ou repentina merece investigação. Observe também a frequência, quantidade e aspecto da urina e das fezes e converse com um médico-veterinário quando necessário.

6. Acreditar que mudanças na alimentação são apenas “frescura”

Gatos podem ser seletivos com alimentos, mas alterações importantes no apetite não devem ser banalizadas. Recusar a alimentação habitual, comer muito menos ou apresentar mudanças persistentes no interesse pela comida pode indicar que existe algo diferente acontecendo. Observe também ingestão de água, peso, nível de atividade e outros comportamentos. Em caso de alteração significativa ou persistente, procure orientação veterinária.

7. Esperar que o gato demonstre claramente quando está doente

Talvez o maior erro seja acreditar que, se o gato estivesse doente, seria evidente. Os felinos podem apresentar sinais bastante discretos. Mudanças no sono, na interação, na higiene, no apetite, na movimentação ou na utilização da caixa de areia podem ser mais importantes do que parecem. Por isso, conhecer o comportamento habitual do animal é uma das melhores ferramentas de prevenção.

Por Deiwerson Damasceno dos Santos

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