Não precisamos desmatar para comer, basta aumentar a produtividade, diz Tereza Cristina

Publicado em 23/01/2020, às 13h21
Agência Câmara -

Folha Press

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, divergiu nesta quinta-feira (23) do ministro da Economia, Paulo Guedes, que afirmou em Davos que "as pessoas destroem o meio ambiente porque precisam comer".

LEIA TAMBÉM

"As pessoas não precisam desmatar para comer, você pode aumentar a produtividade por área, essa é uma das vantagens comparativas do Brasil", disse a ministra em Delhi, ao ser questionada pela reportagem.
Tereza faz parte da comitiva do presidente Jair Bolsonaro na visita à Índia e participou de conferência na manhã de quinta-feira (22).

Tereza acaba de participar do Fórum Global para Alimentação e Agricultura, em Berlim, onde foi muito questionada por europeus e tentou passar uma mensagem que é exatamente o oposto da fala de Guedes.

No fórum, a ministra ressaltou que apenas 2,3% do território da Amazônia são usados para produção agrícola e 10,5% para pecuária, e disse que agricultura não pode ser apontada como a vilã dos problemas ambientais.

"As pessoas estão surdas em relação ao Brasil; existe uma opinião formada de que a gente queima, então mesmo a gente mostrando números, muitas vezes não somos ouvidos. O Brasil tem problemas, mas não é essa calamidade toda", disse a ministra, que foi questionada diversas vezes durante sua participação no Fórum Global de Alimentos e Agricultura.

"Na Europa, existe uma má vontade com o Brasil , o Brasil é a bola da vez, como se a gente não fizesse nada certo, o que não é verdade", disse. "Essa imagem tem interesses, é o medo que agricultores de muitos países da Europa têm do Brasil, que aumentou com o acordo EU Mercosul."

Ela citou o fato de o governo ter acionado o exército para combater os incêndios na Amazônia e a criação da Força Nacional Ambiental como demonstrações de que o governo brasileiro está comprometido com a proteção do meio ambiente.

O primeiro ano do governo Jair Bolsonaro foi marcado por críticas da comunidade internacional sobre a forma como o país lida com os temas ambientais, especialmente o episódio das queimadas na Amazônia. 

A fala de Guedes no Fórum Econômico Mundial em Davos, cujo tema central este ano era o meio ambiente, foi muito criticada.

Segundo Tereza, talvez Guedes estivesse se referindo aos migrantes que foram para a região nos anos 70 e 80, motivados por programas governamentais. A grande maioria são pequenos produtores rurais assentados, que não têm título, nem crédito, e precisam de recursos.

Na índia, um dos principais objetivos é assinar um acordo de cooperação para produção e uso do etanol no mercado indiano. O Brasil quer que mais países passem a produzir etanol, para que o produto se torne uma commodity, ampliando o mercado. Além disso, produzir etanol seria uma maneira de reduzir a grande produção de açúcar na Índia, que, sustentada por subsídios governamentais, vem deprimindo os preços mundiais do açúcar e é alvo de contencioso do Brasil na Organização Mundial de Comércio.

Para a Índia, que importa 84% do petróleo que consome e comprava muito do Irã e Venezuela, atualmente sob sanções, seria uma forma de reduzir dependência de combustíveis fósseis.

O governo brasileiro também negocia uma redução de tarifas sobre o frango –hoje a Índia cobra sobretaxa de 30% sobre frango inteiro e 100% frango em pedaços, e sobre suínos, que tem sobretaxa de  27%. Além disso, deve ser assinado um acordo para intercâmbio de material genético –embriões e sêmen– de gado leiteiro.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Mais dez policiais são denunciados por crimes na Operação Contenção Família catarinense tem sete netos bilionários, herdeiros da WEG, na lista da Forbes Moraes pede ao Itamaraty informações sobre agenda de assessor de Trump Dentista é indiciado por estuprar 10 crianças e adolescentes no PR