"Nem o PT quer a volta da Dilma", diz José Serra

Publicado em 01/08/2016, às 06h44

Redação

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, fez críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff e comentou sobre o atual sistema partidário brasileiro em entrevista divulgada neste domingo (31) pelo Correio Braziliense.

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"Do ponto de vista global, a era petista foi uma era de retrocesso porque arruinou a economia brasileira. Tem que olhar o fim, o balanço e, em matéria externa não teve grandes avanços", disse.

Após concorrer duas vezes à presidência, Serra acredita que a reforma política deveria ser deixada para 2018. "Não se sabe como será o Brasil pós-Lava-Jato, o governo Temer, com todas as variáveis de naturezas política e econômica. Os partidos, todos, de alguma maneira, estão atravessando um período de estresse. O sistema partidário está comprovadamente enlouquecido, em matéria de multiplicação e confusão. Tem de se pensar o que vai se fazer ou não de reforma política, daqui até lá. A reforma política deveria ser bandeira para a próxima eleição. Se dependesse de mim, o governo deveria se jogar na reforma política para 2018", afirma.

A respeito do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, chanceler foi enfático sobre o provável resultado do "julgamento final". " O impeachment está resolvido na minha cabeça e na cabeça da torcida do Flamengo. Nem o PT quer a volta da Dilma. Encontrei senadores petistas felizes. Primeiro porque não têm de justificar o governo Dilma, segundo, têm o discurso de vítima, que em política vale ouro, e terceiro, porque podem votar no quanto pior, melhor, sem dor de consciência como sempre fizeram", disse.

Sobre política externa, o ministro condenou as tentivas de a Venezuela assumir a liderança do Mercosul e classificou como "golpe" a entrada do país no bloco. "O governo venezuelano não consegue tocar a Venezuela. Hoje, teve uma empresa aqui, eu falei: vocês estão em um regime de três dias por semana? E responderam: por semana? Abre a cada cinco meses. Eu acho que a solução venezuelana vai ter que ser interna. Não acho que tem que ter intervenções. Foi um equívoco a entrada e está se mostrando isso, foi fruto de um golpe".

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