No Brasil, 4% não usam mais dinheiro vivo

Publicado em 19/07/2018, às 22h02

Redação

Com a evolução dos meios eletrônicos de pagamento, cerca de 4% da população já não usa mais dinheiro vivo na hora de fazer compras ou quitar contas, mostra uma pesquisa feita em abril e divulgada nesta quinta-feira (19) pelo Banco Central.

LEIA TAMBÉM

O mesmo levantamento, realizado a partir de entrevistas com 2.000 pessoas e estabelecimentos comerciais, revela ainda que o uso do cartão de débito superou o de crédito entre os mais citados.

A última pesquisa similar feita pelo BC, em 2013, mostrava que 100% dos entrevistados diziam usar, entre diversas opções apresentadas, também dinheiro nas transações.

No levantamento atual, 96% dos pesquisados assinalaram essa opção, o que mostra que o uso de meios eletrônicos, como cartões de débito e de crédito, vêm avançando entre os consumidores e até substituindo o pagamento em espécie.

O uso do cartão de débito foi o que mais cresceu.

Em 2018, 52% dos ouvidos na pesquisa disseram que usam esse meio para pagar suas contas. Em 2013, esse percentual era muito menor, de 35%.

Esse salto fez o débito superar o uso do cartão de crédito, que é citado por 46% dos entrevistados. Em 2013, esse percentual era de 39%.

No balcão, o comércio relata movimento parecido.

Segundo os estabelecimentos entrevistados pela pesquisa, os pagamentos em dinheiro representam 50% do faturamento, ante um percentual de 55% em 2013.

Enquanto o cartão de débito elevou sua fatia de fluxo de caixa dos lojistas de 14% para 20% atualmente, a participação do cheque caiu dois pontos percentuais, passando a representar 1% das vendas.

O chefe-adjunto do Departamento do Meio Circulante do BC, Fábio Bollmann, afirma que será preciso esperar a próxima pesquisa para confirmar essa tendência de redução do uso de dinheiro como forma de pagamento.

"Essa é uma questão também cultural", afirma.

"A Suécia, por exemplo, que é um país europeu de alta renda, praticamente não usa dinheiro. Mas a Alemanha, que também é um país europeu de alta renda, usa muito."

Quando a pergunta foi sobre qual o meio de pagamento mais usado, sem outras opções na mesa, o dinheiro é citado por 60% do entrevistados.

O cartão de débito aparece em segundo lugar, com 22%, e em terceiro lugar o de crédito, com 15%.

"Quanto menor o valor, mais frequente o pagamento em dinheiro. Geralmente, despesas do dia a dia são pequenas", afirma Bollmann.

Outra informação trazida pelo levantamento é que hoje 48% da população recebe o salário ou pagamento por meio de depósito em conta-corrente, poupança ou salário. Há cinco anos, eram 30%.

"Houve uma evolução, mas chama a atenção o fato de que 29% das pessoas ainda recebem seus pagamentos em dinheiro", diz o técnico do BC.

De acordo com a pesquisa, 54% dos entrevistados portam moedas para fazer pequenas compras ou dar troco.

Dos que guardam moedas, 59% as mantêm por até um mês, e 21% entre mais de um mês e até seis meses.

Segundo o BC, há mais de 8 bilhões de moedas fora de circulação no Brasil.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Por que os custos da morte também devem entrar na conta do mês Cesta básica ficou mais cara em apenas duas capitais; Maceió é uma delas Isenção da “taxa das blusinhas” em compras até US$ 50 é sancionada Novas regras da CNH geram economia de R$ 9,6 bilhões a motoristas em oito meses, diz governo