Nota de R$ 200, criada para não faltar dinheiro, faz 1 ano e está encalhada

Publicado em 29/08/2021, às 13h15
-

UOL

A nota de R$ 200 completa um ano de seu lançamento em 2 de setembro. Ela foi criada com o argumento de que havia risco de faltar dinheiro para os brasileiros, mas só 18% das cédulas produzidas estão em circulação, e 82% estão encalhadas.

O BC encomendou 450 milhões de unidades, o equivalente a R$ 90 bilhões. Entretanto, somente 79 milhões estão disponíveis para o uso dos brasileiros, totalizando R$ 15,8 bilhões. As 371 milhões de notas restantes estão armazenadas no BC. O governo gastou R$ 113,8 milhões para produzir as notas.

Quando anunciou o lançamento da nota de R$ 200, a diretora de Administração do BC, Carolina de Assis Barros, declarou que a pandemia do coronavírus exigiu um maior número de cédulas em circulação no país.

Sem uma nota de R$ 200, segundo ela, haveria o risco de falta de papel-moeda. O pagamento do auxílio emergencial levou mais pessoas a sacar dinheiro nos bancos, caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes bancários, o que exigiu uma ação do BC.

Ritmo de uso está de acordo com esperado, diz BC

LEIA TAMBÉM

Procurado, o BC declarou que o ritmo de utilização da cédula de R$ 200 vem evoluindo de acordo com o esperado. O BC afirmou o que fornecimento de cédulas é realizado de forma a atender a demanda da sociedade por notas.

Questionado pelo UOL se tinha planos para tirar a nota de R$ 200 de circulação, o BC se limitou a dizer que qualquer nova denominação de cédula entra em circulação de forma gradual e de acordo com a necessidade.

A cédula de R$ 200 é a sétima da família de notas do real, que tem também notas de R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100. As notas de R$ 1 não são mais produzidas.

Nota de R$ 200 facilitaria crimes

O lançamento da nota de R$ 200 foi marcado por diversas críticas que levaram partidos políticos e entidades ligadas ao combate à corrupção a ingressar com ações na Justiça para barrar a circulação da cédula. Na primeira delas, protocolada por PSB, Podemos e Rede, a ministra Cármen Lúcia, do STF, arquivou a ação.

O argumento é que o crime prefere as notas de maior valor porque facilitam atividades ilícitas, como corrupção, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, ocultação e evasão de divisas, já que fica mais fácil o "armazenamento e o transporte de recursos obtidos ilegalmente e dificultando a rastreabilidade das respectivas transações".

Na decisão, a juíza informou que não foi comprovada nenhuma relação do tema com alguma violação da Constituição. Os partidos argumentavam que a nota de R$ 200 facilitaria crimes e que o Banco Central não havia apresentado nenhum estudo que justificasse a medida.

Na outra ação, associações do TCU (Tribunal de Contas da União) e entidades ligadas ao combate à corrupção pediram ao STF para interromper a emissão de novos lotes de notas de R$ 200 ou que fosse dado um prazo para o fim da circulação. O processo ainda aguarda uma decisão da magistrada.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Dólar sobe e petróleo dispara com ataque militar ao Irã; entenda Quem deve declarar o Imposto de Renda 2026? Veja o que se sabe até agora sobre as regras Empresas têm até este sábado para enviar dados salariais por gêneros Receita paga lote da malha fina do Imposto de Renda de fevereiro