Novas tarifas atingem 21% do que Brasil exporta para EUA, diz ministro da Indústria

Publicado em 02/06/2026, às 15h24
- Imagem feita com I.A.

MAELI PRADO, ISADORA ALBERNAZ, CAIO SPECHOTO E MARIANA BRASIL/FOLHAPRESS

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O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira (2) que a nova proposta do governo do presidente Donald Trump de impor 25% de tarifas a produtos brasileiros irá afetar 21% das exportações nacionais aos americanos.

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Segundo o ministro, 25% dos produtos brasileiros enviados aos EUA já enfrentam sobretaxas com base na seção 232, que atinge aço, alumínio e autopeças. Outros 54% estão livres das tarifas. A sugestão de novo tarifaço é resultado da investigação comercial americana com base na Seção 301.


Rosa deu as declarações após reunião entre o alto escalão da gestão petista para tratar do novo tarifaço.


O próximo passo do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) é abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.


Em coletiva de imprensa após a reunião, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse que o governo Lula (PT) recebeu "com indignação e considera injusta" a proposta dos EUA e, sem citar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), falou em "falsos patriotas" com interesses eleitorais.


"Sempre que o diálogo avança, falsos patriotas, sabotadores, colocam seus interesses eleitorais acima do interesse público", disse. "É descabida a recomendação, e o governo do presidente Lula vai trabalhar para que ela não ocorra", afirmou.


Alckmin também repetiu que a balança comercial é "amplamente favorável" aos Estados Unidos e afirmou que o governo brasileiro vai tentar mobilizar empresas brasileiras e americanas para impedir a taxação.


"Vamos trabalhar com esse período até 15 de julho. Agora começa a parte das consultas públicas", disse.
Também participaram da reunião na vice-presidência os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e Sidônio Palmeira (Secom). O Ministério das Relações Exteriores foi representado pelo embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty.


O vice-presidente ainda rebateu argumentos usados pelos EUA para propor as taxas. Afirmou que o Brasil aprovou 30 dispositivos de combate à corrupção e disse que "não há a menor lógica" em o Pix ser mencionado porque, segundo ele, o sistema de pagamentos "não prejudica ninguém".


Já o ministro da Fazenda afirmou que "mais uma vez a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix" e afirmou que negociações com os americanos envolvendo o sistema de pagamentos estão fora do debate. "É o maior símbolo da nossa soberania financeira", declarou.


Durante a fala à imprensa, o governo emitiu nota com detalhes da conclusão da investigação, também com críticas diretas à família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A gestão afirma que o Brasil pode recorrer à Lei de Reciprocidade para lidar com o episódio.


"Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais."


Como mostrou a Folha de S.Paulo, o governo Lula pretende manter negociações com os Estados Unidos e vê chance de evitar um novo tarifaço.


No cenário nacional, a estratégia dos aliados do presidente será reforçar o discurso de soberania nacional. Dessa vez, as falas devem conter referências ao Pix. A ideia é potencializar ao máximo possível o desgaste de Flávio, principal adversário de Lula nas eleições de outubro.


OUTRAS ESTIMATIVAS

Segundo o economista Sergio Vale, da consultoria MB Associados, os principais produtos afetados serão máquinas e equipamentos (dos quais o Brasil exportou US$ 2,36 bilhões no ano passado), madeira e manufaturados (US$ 1,24 bilhão vendidos em 2025) e produtos elétricos, como transformadores (cerca de US$ 920 milhões). A projeção de Vale calcula que 27% das exportações brasileiras aos EUA serão atingidas.


"Basicamente foram afetados produtos industrializados. Cerca de um quarto dos impactados são máquinas e equipamentos", afirma.


A estimativa do economista é que as isenções da lista da investigação da seção 301 representam US$ 21,2 bilhões, ou 56,3%, do total de US$ 37,7 bilhões que foram vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos no ano passado.


Outros 16,8% estão sendo investigados em outra seção da legislação americana, a 232. São produtos como aço, veículos, autopeças, alumínio, derivados de aço e cobre. Eles não estão nem isentos nem expostos à nova tarifa.


O economista avalia que apesar de o presidente americano, Donald Trump, acreditar que as tarifas estimularão a produção interna, a medida encarece os produtos ao consumidor americano, tornando a economia dos EUA menos eficiente.


O economista avalia que apesar de o presidente americano, Donald Trump, acreditar que as tarifas estimularão a produção interna, a medida encarece os produtos ao consumidor americano, tornando a economia dos EUA menos eficiente.


"Nesse sentido, era esperado que houvesse um aprendizado em evitar taxar aquilo que causa processo inflacionário imediato por não ter substituto doméstico, mas continua a ideia equivocada de que os EUA produzirão mais desses produtos que vão deixar de comprar do Brasil." Para ele, o momento é de buscar novos mercados.


O governo Trump concluiu a investigação da seção 301 contra o Brasil e propôs novo tarifaço de 25% sobre bens importados do país. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que fez a sugestão de um novo tarifaço como resposta ao que vê como práticas comerciais injustas do Brasil.


A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump. Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.


A sugestão exclui uma ampla lista de bens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou cuja oferta doméstica é insuficiente.


Entre eles estão diversos alimentos e produtos agropecuários, como carne bovina, suco de laranja, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja, limão e outras frutas tropicais. Outro destaque é a exclusão da indústria aeronáutica.

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