Revista Crescer
Você já deve ter se deparado com notícias sobre o vírus Nipah nas redes sociais ou na imprensa. O surto de casos em Bengala Ocidental, na Índia, de fato, deixou o mundo alerta, principalmente devido à alta taxa de letalidade desse tipo de infecção. Por conta disso, é inevitável não se questionar: será que esse vírus tem potencial para se tornar uma pandemia e chegar ao Brasil?
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Como o trauma da covid-19 ainda é recente, é natural sentir esse medo. Para responder a essa e outras perguntas das famílias, a CRESCER conversou com Alberto Chebabo, infectologista do laboratório Sérgio Franco, da Dasa, e Cecilia Gama, pediatra da Clínica Mantellie, para preparar um guia com tudo que você precisa saber. Confira!
O que é o vírus Nipah?
O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, transmitido de animais para seres humanos. No entanto, a infecção também pode ser disseminada por meio de alimentos contaminados ou diretamente entre as pessoas. Um ponto importante é: esse não é um vírus novo; ele foi identificado pela primeira vez em 1999 durante um surto entre criadores de porcos na Malásia.
Linha do tempo
Como o vírus é transmitido?
O vírus Nipah comumente circula entre espécies de morcegos frugívoros (gênero Pteropus), que são muito comuns na região do sudeste asiático. Sua principal via de transmissão é por meio de:
Quais são os principais sintomas?
Uma das principais preocupações com esse vírus é que seus sintomas iniciais se assemelham muito a um quadro viral comum ou, até, às vezes, a pessoa pode estar assintomática — dificultando o diagnóstico. Os infectados podem sentir:
A situação se torna preocupante, em geral, após as 48 horas, quando a pessoa pode evoluir para um quadro de:
Outro desfecho da doença que requer atenção é a encefalite aguda — uma inflamação que ocorre no cérebro quando um vírus ou mesmo bactérias conseguem atacar a região cerebral diretamente, podendo causar convulsões e até levar ao coma.
O período de incubação do vírus — tempo entre infecção e o início dos sintomas — costuma ser de 4 a 14 dias. No entanto, os especialistas já relataram que esse intervalo pode chegar a 45 dias. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%, podendo variar dependendo da região.
Segundo informações da Organização Internacional de Saúde Pública (OMS), a maioria dos infectados que sobrevive à encefalite se recupera, mas é possível haver sequelas a longo prazo.
Há chances do vírus chegar ao Brasil?
Embora a letalidade do Nipah assuste, as chances do vírus chegar ao Brasil são pequenas. “Não é desprezível, claro, porque hoje se tem uma movimentação muito grande entre as pessoas de um lugar para o outro por meio dos voos, mas a transmissão não é tão fácil como a covid-19”, destacou Alberto Chebabo.
“O vírus Nipah evolui de uma forma bem grave, com uma letalidade muito elevada. Normalmente, um vírus com alta letalidade tem menor risco de transmissão e disseminação, uma vez que o hospedeiro infectado acaba morrendo, então o risco de pandemia é menos comum”, explica o infectologista.
Por outro lado, a covid-19 se disseminou rapidamente pelo mundo, principalmente devido ao seu alto risco de transmissão.
Apesar do risco baixo, é essencial estar atento aos surtos no sul e sudeste da Ásia. “Como se trata de uma doença zoonótica, a vigilância epidemiológica global é fundamental, especialmente em um mundo com grande circulação internacional”, enfatizou Cecilia Gama.
O diagnóstico da infecção é feito por meio de um exame de PCR específico para o vírus Nipah. No entanto, o teste só está disponível comercialmente em laboratórios ligados ao Ministério da Saúde e à Organização Internacional de Saúde Pública.
Infelizmente, ainda não existem medicamentos ou vacinas específicas para infecção pelo vírus Nipah. Mas a OMS já identificou o Nipah como uma doença prioritária para o Plano de Pesquisa e Desenvolvimento da entidade de saúde.
Como ainda não há opções terapêuticas disponíveis, o cuidado é de suporte, incluindo:
Quais são os riscos para as crianças e grávidas?
As crianças e gestantes fazem parte do grupo mais vulnerável.
Por que o surto da Índia é tão preocupante?
Segundo Cecilia Gama, o surto preocupa, principalmente, porque:
A infecção exige isolamento rigoroso e rastreamento de contatos
Com informações da Organização Internacional de Saúde Pública
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