Número de registros de divórcio tem aumento no Rio Grande do Norte

Publicado em 19/10/2020, às 09h28
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Agora RN

A pandemia do novo Coronavírus trouxe diversas mudanças na vida e na rotina da maior parte dos brasileiros. Dentro de casa não foi diferente: casais adaptaram rotinas para seus respectivos empregos, cuidar dos filhos e, ainda por cima, manter a relação intacta convivendo sob o mesmo teto.

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Entretanto, para alguns casais, trabalhar e conviver junto durante o isolamento social não surtiu efeito em melhorar a relação, fazendo com que muitos recorressem aos cartórios para oficializar a separação. Segundo o Colégio Notarial do Brasil (CNB-RN), entre os meses de junho e agosto, o número de divórcios direto registrados foi de 126. No mesmo período de 2019, o número foi de 120. No entanto, apenas em agosto deste ano foram 55 separações, contra as 39 do mesmo mês do ano passado.

A advogada especialista em direito das famílias, Rafaela Câmara, explica que diversos fatores foram cruciais para que os casais entrassem com o pedido de divórcio. A convivência familiar entre os casais se intensificou no isolamento social e, consequentemente, os conflitos dentro do lar e, na necessidade da comunicação, a identidade enquanto casal se perdeu”, ressalta.

Além disso, a especialista destaca que a mulher passou a acumular funções além da parte doméstica e dos cuidados com os filhos, não permitindo abertura nas divisões das tarefas familiares. “Culturalmente, a mulher sente extrema dificuldade de encerrar uma relação quando é vítima de violência dentro de casa e, além disso, a mulher tem que realizar as atividades de vínculo empregatício, atuar como donas de casa e, muitas das vezes, cuidar dos filhos”, esclarece.

No Brasil, os divórcios e dissoluções de união estável podem ser realizados de forma judicial, em que é realizado diante de um juiz, e de forma extrajudicial, onde os casais se separam no cartório, geralmente de forma mais rápida. “O divórcio é um direito potestativo, ou seja, é um direito onde não se admite contestação, logo, ninguém é obrigado a permanecer casado ou conviver em união estável”, pontua a advogada.

Do ponto de vista comportamental, a psicóloga Ana Paula Galvão explica que a convivência diária dos indivíduos pode estreitar as relações de um modo que o próprio casal não conhecia ainda. “As diferenças ficam muito mais evidentes. Se o relacionamento já não ia muito bem, isso vai ficar mais evidente com o contato mais próximo do que o habitual”, disse.
Além disso, o isolamento social deixou as pessoas mais intolerantes, e isso interfere diretamente nas relações.

“As pessoas estavam acostumadas com suas atividades diárias e precisaram parar. A quarentena está sendo um período em que as pessoas precisam cuidar da saúde mental e desenvolver mecanismos com essa situação incomum”, elucida Ana Paula. A psicóloga reforça ainda que para a resolução desses conflitos, é fundamental que seja realizada uma autorreflexão. “Não adianta fugir dos problemas e colocar sempre a culpa no outro porque é muito comum apontar os erros do parceiro”, completa.

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