O plano da Braskem para pagar suas dívidas

Publicado em 25/06/2026, às 11h45

Flávio Gomes de Barros

Com vultosos compromissos financeiros em curto prazo, a Braskem tornou pública sua proposta de recuperação extrajudicial.

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O plano apresentado, entretanto, aparentemente não foi bem recebido pelos credores.

A explicação é da jornalista Camille Lima, no site "Seu Dinheiro":

 

"A Braskem (BRKM5) foi à mesa de negociação da recuperação extrajudicial com um pedido ambicioso: cinco anos a mais para pagar suas dívidas, juros menores e a possibilidade de interromper os pagamentos dos cupons. Os credores, no entanto, não gostaram nada da proposta. 

O plano de reestruturação da petroquímica, batizado de Projeto Catalyst, virou um cabo de guerra entre a tentativa da empresa de preservar caixa e a resistência de quem financiou sua expansão.  

De um lado, a Braskem argumenta que precisa de fôlego para atravessar um ciclo ainda difícil para a indústria petroquímica, lidar com os efeitos financeiros da acusação de crime ambiental pelo desastre ecológico de Maceió, e evitar que o calendário de vencimentos pressione sua liquidez.  

Do outro, investidores rebatem que a companhia estaria tentando transferir para os credores uma fatia excessiva da conta. 

A discussão não é pequena. Entre julho de 2026 e dezembro de 2027, a Braskem terá cerca de US$ 3,68 bilhões em compromissos financeiros pela frente.  

Sem renegociação, a petroquímica projeta que o caixa livre poderia somar um déficit de quase US$ 2 bilhões no próximo ano. 

Enquanto tenta costurar uma solução para a dívida, a Braskem recorreu à Justiça brasileira para protegere evitar execuções ou bloqueios de recursos durante a mediação.  

O plano da Braskem em detalhes

O Projeto Catalyst foi detalhado em documentos divulgados pela Braskem após o fim de acordos de confidencialidade firmados com grandes investidores. 

Para a companhia, manter a estrutura atual da dívida sem renegociação com os credores levaria a uma pressão crescente sobre o caixa.  

No cenário Status Quo, em que não haveria reestruturação, as projeções indicam que o caixa livre poderia ficar negativo em dezembro de 2026, com déficit estimado em US$ 821 milhões. 

Ao fim de 2027, esse buraco poderia alcançar US$ 1,98 bilhão, segundo os documentos apresentados pela empresa. 

É para evitar esse descompasso entre vencimentos e geração de caixa que a Braskem propõe uma reestruturação baseada em três frentes principais: 

O mecanismo de PIK permite que a empresa deixe de desembolsar juros em dinheiro no curto prazo. Em vez disso, os encargos são incorporados ao saldo devedor e passam a compor o valor a ser pago mais à frente. 

É uma ferramenta que preserva caixa agora, mas aumenta a dívida futura. Ainda assim, a Braskem afirma que pretende pagar integralmente o principal das obrigações dentro do novo cronograma, sem haircut e sem conversão dos créditos em participação acionária..."

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