Redação EdiCase
Creatina no café da manhã, pré-treino antes da academia, eletrólitos na garrafinha, carboidratos durante o exercício e proteína depois. Nas redes sociais, rotinas marcadas por uma verdadeira coleção de potes, pós e cápsulas têm ganhado espaço e ajudado a popularizar o chamado “supplement stacking”, prática que combina diferentes suplementos ao longo do dia.
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A tendência consiste em combinar diferentes suplementos ao longo do dia ou em torno do treino. Embora algumas associações possam fazer parte de uma estratégia individualizada, o problema começa quando o “stack” de um influenciador vira receita para milhares de seguidores.
A farmacêutica Dra. Unna Abrantes aponta 7 cuidados antes de entrar na tendência. Confira!
Antes de adicionar mais um produto à rotina, é importante entender a finalidade dele. Quantidade não é sinônimo de eficiência.
“Não existe um número de suplementos que determine se uma estratégia é boa ou ruim. Precisamos entender por que cada produto está sendo utilizado, em qual dose e se existe realmente necessidade. Copiar um ‘stack’ das redes pode levar ao consumo de substâncias desnecessárias ou repetidas”, explica Unna Abrantes.
A combinação aparece frequentemente nos conteúdos fitness, mas creatina e pré-treino possuem propostas diferentes. Usar os dois não significa automaticamente potencializar o treino.
“A creatina está relacionada principalmente à disponibilidade energética para esforços de alta intensidade e pode contribuir para força e desempenho em determinados contextos. Muitos pré-treinos, por outro lado, utilizam estimulantes para aumentar a disposição e a percepção de energia. São estratégias diferentes”, afirma.
O café da manhã pode ter cafeína. O pré-treino também. Energéticos e alguns termogênicos entram na mesma conta. No “supplement stacking”, observar apenas cada produto isoladamente pode fazer a pessoa perder de vista o consumo total.
“Às vezes, o problema está na soma. A pessoa toma café, utiliza o pré-treino e depois acrescenta energético. O excesso de estimulantes pode provocar palpitações, ansiedade, tremores, desconfortos gastrointestinais e alterações no sono”, alerta a farmacêutica.
As bebidas coloridas preparadas antes do treino se tornaram praticamente parte da estética fitness nas redes sociais. Mas nem todo praticante de academia precisa suplementar eletrólitos durante o exercício.
“Eletrólitos podem ter aplicações importantes dependendo da modalidade, duração e intensidade do exercício, temperatura e perda de líquidos. Isso não significa que toda pessoa precise transformar sua água em uma mistura de suplementos”, orienta a profissional.
Os carboidratos podem desempenhar um papel importante na prática de determinadas modalidades e tipos de treino. A necessidade desse nutriente, porém, pode variar conforme a intensidade, a duração e as características da atividade realizada.
“Uma estratégia para um atleta de endurance, por exemplo, não deve ser automaticamente reproduzida por alguém que realiza outro tipo de treinamento. Modalidade, duração, intensidade e objetivo precisam ser considerados”, explica Unna Abrantes.
É possível ter uma bancada cheia de suplementos e ainda assim comprometer os resultados por dormir pouco, alimentar-se mal ou não respeitar a recuperação.
“O suplemento pode complementar aquilo que a alimentação e a estratégia esportiva precisam entregar, mas não substitui treino, alimentação, hidratação e descanso. O corpo não responde melhor simplesmente porque colocamos mais produtos na rotina”, destaca a farmacêutica Dra. Unna Abrantes.
O protocolo mostrado nas redes não revela necessariamente informações sobre a alimentação, os exames, a intensidade do treinamento, a composição corporal, o objetivo ou o acompanhamento daquela pessoa.
Para Unna Abrantes, uma pergunta simples ajuda a identificar excessos: “Para que estou tomando isso?” A quantidade de produtos não deve ser o principal critério para montar uma rotina de suplementação. “Se a pessoa não consegue explicar por que aquele suplemento está na rotina, talvez seja hora de reavaliar. Uma estratégia bem planejada não é aquela que tem mais potes. É aquela em que cada escolha possui uma finalidade”, conclui a Dra. Unna Abrantes.
Por Sarah Carvalho
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