A sensação de estômago alto, aquela barriga estufada, dura ou "empurrada para cima", pode surgir logo após as refeições, ao longo do dia ou até ao acordar. Em muitos casos, vem acompanhada de gases, arrotos frequentes, constipação e desconforto abdominal. Apesar de comum, o problema nem sempre é simples de identificar, já que diferentes mecanismos podem levar ao mesmo sintoma.
- Distúrbios gastrointestinais estão entre os principais responsáveis;
- A síndrome do intestino irritável, por exemplo, altera o ritmo intestinal e favorece a produção de gases;
- Intolerâncias alimentares, como a lactose, dificultam a digestão de certos açúcares, provocando fermentação excessiva;
- Já o supercrescimento bacteriano no intestino delgado interfere na absorção de nutrientes e contribui para a distensão abdominal;
- Inflamações do trato digestivo, como a gastrite, também entram na lista, assim como a doença celíaca, em que o glúten desencadeia uma resposta inflamatória no intestino.
Em comum, todas essas condições afetam o processamento dos alimentos e aumentam a formação de gases, dando a sensação de estômago elevado.
Além das doenças, outros fatores
O que vai ao prato tem grande influência no estômago alto. Um grupo específico de carboidratos ganhou destaque nos últimos anos: os FODMAPs, sigla que reúne açúcares de difícil absorção pelo intestino delgado.
Quando esses carboidratos chegam praticamente intactos ao intestino grosso, passam por fermentação bacteriana intensa, gerando gases e distensão abdominal. Entre os alimentos ricos em FODMAPs estão algumas frutas (como maçã, pera e manga), vegetais (cebola, alho, couve-flor, cogumelos), trigo e derivados, além de laticínios como leite, iogurte e certos queijos.
A redução desses alimentos pode aliviar sintomas em pessoas com síndrome do intestino irritável, mas não é uma regra universal. Para quem não tem a condição, o corte indiscriminado pode ser desnecessário e até prejudicial, já que muitos FODMAPs são fontes importantes de energia, fibras e micronutrientes. Por isso, a avaliação individual é fundamental antes de qualquer restrição.
Como reduzir o estômago alto no dia a dia
Independentemente da causa, algumas estratégias ajudam a diminuir o inchaço e a prevenir crises recorrentes.
- Evitar refrigerantes e bebidas alcoólicas é um bom começo. O gás dos refrigerantes aumenta a distensão abdominal, enquanto o álcool irrita a mucosa do estômago e estimula a produção de ácido;
- Mastigar bem os alimentos e comer com calma facilita a digestão e reduz a formação de gases;
- O consumo de líquidos também merece atenção. Pequenas quantidades durante a refeição costumam ser bem toleradas, mas
exagerar pode atrapalhar a digestão;
- O estresse interfere diretamente no funcionamento do intestino, tornando-o mais sensível. Práticas como meditação, ioga e atividades relaxantes ajudam a regular esse eixo intestino-cérebro;
- Dormir bem favorece a liberação de neurotransmissores que auxiliam o trânsito intestinal;
- A atividade física regular estimula o movimento do intestino e reduz gases;
- Manter uma dieta equilibrada, sem cortes radicais, de preferência com orientação nutricional, completa o cuidado;
- Chás como erva-doce, alecrim e chá branco podem auxiliar a digestão, desde que usados com cautela em pessoas sensíveis;
- Observar padrões, ajustar hábitos e buscar ajuda especializada quando o desconforto se repete é fundamental para evitar que o inchaço se torne parte da rotina.