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O que o futebol brasileiro representa no mundo hoje: os números de uma potência em transformação

Publicado em 17/06/2026, às 16h31

Redação

O futebol brasileiro sempre foi sinônimo de talento, mas hoje ele é muito mais do que isso: 
tornou-se um dos ativos econômicos mais relevantes do esporte mundial. Em 2025, o país 
consolidou uma posição dupla e fascinante. De um lado, segue como a maior fábrica de 
jogadores do planeta, abastecendo praticamente todas as ligas do mundo. De outro, vive um 
boom financeiro doméstico sem precedentes, com receitas recordes, novos pilares 
comerciais e clubes que finalmente começam a operar com lógica empresarial. Esse novo 
ambiente também se conecta ao crescimento do consumo digital esportivo, incluindo 
dentro de um ecossistema em que clubes, torcedores e marcas disputam atenção em tempo 
real. Os números contam uma história de crescimento acelerado, mas também de 
contradições profundas. Vamos a eles. 
 
A maior fábrica de talentos do mundo 
 
Nenhum país exporta futebol como o Brasil. Segundo o levantamento do CIES, o 
observatório suíço do futebol, o país foi de longe o maior exportador de atletas do mundo 
entre 2020 e 2025, com impressionantes 3.020 jogadores enviados para fora. O número é 
muito superior ao da segunda colocada, a França, com 2.293, e da terceira, a Argentina, com 
2.171. Para se ter ideia da escala, só em 2025 mais de 1.400 brasileiros deixaram o país 
para atuar no exterior. 
Os destinos revelam como o talento verde-amarelo se espalha por todos os níveis do futebol 
global. O principal mercado hoje é Portugal, que recebeu mais de 180 brasileiros apenas em 2025, seguido pelo Japão. De craques de elite a jogadores de ligas secundárias, o Brasil 
alimenta um ecossistema que vai da Premier League aos campeonatos do Leste Europeu e 
da Ásia. 
 
Os dados da FIFA reforçam esse protagonismo. O Brasil é, disparado, o país mais ativo do 
mundo no mercado de transferências, líder tanto em contratações quanto em vendas para o 
exterior. Em um único ano, os clubes brasileiros lideraram o ranking global com 1.190 
jogadores contratados e outros 1.005 vendidos ou emprestados. Num mercado de 
transferências mundial que bateu o recorde histórico de cerca de 70 bilhões de reais em 
movimentações, o Brasil é o coração pulsante do fluxo de atletas. 
 
Receita recorde: a Série A movimentou R$ 14,3 bilhões 
 
Se a exportação é a face histórica do futebol brasileiro, o crescimento da economia 
doméstica é a grande novidade dos últimos anos. De acordo com o Relatório Convocados, 
elaborado pelo economista Cesar Grafietti, os clubes da Série A movimentaram 14,3 bilhões 
de reais em receitas em 2025, o maior valor da história e um crescimento de 32% em 
relação ao ano anterior. 
 
O detalhamento dessas receitas, mapeado também em levantamento da EY, mostra um 
setor cada vez mais sofisticado. Os direitos de transmissão e premiações somaram 4,9 
bilhões de reais, sendo 3,1 bilhões apenas de transmissão. As transferências de jogadores 
renderam 3,9 bilhões de reais, alta expressiva de 63% sobre 2024 e o maior valor já 
registrado nessa rubrica. A receita comercial alcançou outros 3,1 bilhões, fortemente 
impulsionada por um novo protagonista: as casas de apostas, que se consolidaram como 
pilar de patrocínio do futebol nacional. Por fim, a receita de matchday, que reúne bilheteria 
e sócio-torcedor, chegou a cerca de 1,8 bilhão de reais. 
 
Um dado simbólico dessa transformação: os programas de sócio-torcedor geraram 877 
milhões de reais, superando pela primeira vez a arrecadação com bilheteria, de 847 
milhões. O torcedor brasileiro deixou de ser apenas quem vai ao estádio para se tornar um 
assinante fiel, uma fonte de receita recorrente e previsível. 
O Mundial de Clubes e os novos pilares comerciais 
 
Parte relevante do salto de 2025 veio de fatores extraordinários. A participação de quatro 
clubes brasileiros — Palmeiras, Botafogo, Flamengo e Fluminense — no novo Mundial de 
Clubes inflou as premiações, que atingiram 1,6 bilhão de reais. Foi uma injeção de recursos 
que mostrou ao mundo a competitividade do futebol nacional e encheu os cofres dos 
grandes. 
 
No campo das avaliações de mercado, o Flamengo lidera de forma isolada, sendo o único 
clube brasileiro a superar a marca de 4,5 bilhões de reais em valor, seguido por Palmeiras e 
Corinthians. O Rubro-Negro fechou 2025 com uma receita total superior a 370 milhões de 
dólares e um superávit de transferências de 93 milhões de dólares, números que o 
aproximam de clubes europeus de porte médio. 
 
O paradoxo: receita recorde, operação deficitária 
 
Por trás dos números brilhantes, esconde-se a contradição central do futebol brasileiro. 
Quando se retiram as receitas não recorrentes, como vendas de jogadores e premiações 
internacionais, a receita recorrente do setor foi de 9,5 bilhões de reais. E o alerta do 
Relatório Convocados é duro: os custos e despesas das equipes da Série A representaram 
108% dessas receitas recorrentes. Em outras palavras, a operação do dia a dia é deficitária 
e só fecha as contas com a venda de atletas. 
 
Esse é o ciclo conhecido e vicioso do futebol nacional. Quando um time engrena e revela 
bons jogadores, suas principais peças são negociadas para sanar o caixa. Sem elenco, o time 
perde competitividade, e o processo recomeça com a próxima safra de jovens. O 
endividamento líquido dos clubes alcançou 14,3 bilhões de reais, com uma dívida tributária 
de 4,5 bilhões, mostrando que a saúde financeira ainda é frágil apesar do crescimento. 
 
Um mercado que virou de mão dupla
A grande virada cultural e econômica, porém, é o surgimento de um fluxo bidirecional. 
Historicamente apenas exportador, o Brasil passou a repatriar e atrair talentos em seu 
auge. O Flamengo trouxe de volta Paquetá, que havia rodado por Milan, Lyon e West Ham. 
Vitor Roque retornou para o Palmeiras por 25,5 milhões de euros, tornando-se a 
contratação mais cara da história do Brasileirão. Oscar voltou ao São Paulo, e Philippe 
Coutinho ao Vasco. 
 
Boa parte dessa transformação se explica pela Lei da SAF, a Sociedade Anônima do Futebol, 
aprovada em 2021 e plenamente operacional a partir de 2023. O novo modelo permitiu que 
clubes como Flamengo, Botafogo, Cruzeiro e Vasco reestruturassem dívidas, atraíssem 
investidores e passassem a operar com critérios de empresa. O resultado é um Brasileirão 
mais rico e competitivo, capaz de segurar talentos por mais tempo e até de disputar 
contratações com clubes europeus de segunda linha. 
 
O valor do espetáculo 
 
Toda essa pujança se reflete no valor dos elencos. Os 655 atletas da Série A somavam cerca 
de 2,5 bilhões de euros, o equivalente a 14 bilhões de reais. O jogador mais valioso do 
campeonato era o jovem Estêvão, avaliado em cerca de 51,8 milhões de euros antes de se 
transferir ao Chelsea, um símbolo da nova geração que faz o Brasil seguir relevante. 
 
Curiosamente, Neymar, de volta ao Santos, aparecia apenas na nona posição, avaliado em 
torno de 15 milhões de euros, prova de que o futuro já pertence aos garotos. 
 
Em campo, o Flamengo foi o campeão de 2025, em um torneio com média de público de 
mais de 26 mil torcedores por jogo e quase mil gols marcados ao longo de 380 partidas. 
 
Uma potência em transição 
 
O que o futebol brasileiro representa no mundo hoje, portanto, é uma potência em plena 
transformação. É, ao mesmo tempo, o maior celeiro de talentos do planeta e um mercado 
interno que finalmente desperta para o seu próprio potencial econômico. Os recordes de 
receita convivem com dívidas históricas, e o orgulho de exportar craques convive com a 
urgência de retê-los. O Brasil deixou de ser apenas o lugar onde o talento nasce para se 
tornar, cada vez mais, um lugar onde o talento também pode ficar. E essa, talvez, seja a 
maior revolução de todas. 
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