Yasmin Gregorio*
Um sítio arqueológico com mais de 500 peças foi identificado durante as obras de implantação da rodovia AL-102 Norte, no bairro de Riacho Doce, em Maceió. Os achados foram feitos por trabalhadores no trecho em construção e incluem fragmentos cerâmicos, artefatos de pedra e vestígios que ajudam a contar a história de antigas ocupações na região.
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As informações foram exibidas em reportagem do programa Fique Alerta, da Pajuçara Sistemas de Comunicação (PSCOM), no final da manhã desta terça-feira (24).
Segundo arqueólogos que acompanham a obra, o material encontrado indica a presença de grupos indígenas no período pré-colonial, além de registros da ocupação durante a colonização. Entre os itens identificados estão ferramentas de pedra, como fragmentos de machados usados no cotidiano, possivelmente em atividades como derrubada de árvores e preparo da terra para plantio.
Também foram localizados fragmentos de louça inglesa datados entre os séculos XVIII e XIX, além de peças construtivas, o que aponta para diferentes fases de ocupação no local.
Importância histórica
De acordo com o arqueólogo Fabiano Nascimento, ao Fique Alerta, os vestígios são fundamentais para entender como ocorreu o processo de ocupação do litoral de Alagoas, especialmente em áreas de tabuleiros costeiros e topo de morros.
“Os materiais permitem reconstruir aspectos do modo de vida desses grupos, como organização social, hábitos e atividades do dia a dia. Cada artefato encontrado contribui para ampliar o conhecimento sobre populações que viveram na região antes da urbanização”, explicou.
O secretário especial de Obras da Setrand, Alcides Tenório, explicou que o trabalho arqueológico ocorre de forma simultânea às obras da rodovia, como forma de garantir a preservação do material histórico encontrado na área. “O acompanhamento é contínuo. As equipes monitoram as escavações e, sempre que um possível vestígio é identificado, a atividade é imediatamente interrompida”, afirmou.
Segundo ele, após a identificação, o procedimento é comunicar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável por orientar as próximas etapas.
No caso do sítio em Riacho Doce, os materiais foram resgatados e serão encaminhados para museus, onde passarão por catalogação e estudos mais detalhados.
Obra segue em andamento
O trecho em execução liga as regiões de Guaxuma e Praia da Sereia, com cerca de seis quilômetros de extensão. No local, estão sendo realizados serviços de drenagem, terraplanagem e pavimentação.
A previsão é que a primeira etapa da obra seja concluída até julho. Após essa fase, os trabalhos devem avançar para outros trechos, com o objetivo de ampliar a ligação até o município de Barra de Santo Antônio.
"Estagiária sob supervisão
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