Ofensas e exigência por delegado branco: o que se sabe sobre caso de turista gaúcha presa por injúria racial

Publicado em 23/01/2026, às 08h07
Marcada audiência de custódia de turista gaúcha que cometeu injúria racial - Foto: Reprodução

g1

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A gaúcha acusada de injúria racial contra uma comerciante em Salvador vai passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (23). Ela foi presa em flagrante, na quarta (21), em um evento gratuito que acontecia no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador.

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Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi acusada de cuspir na vítima e ofendê-la enquanto repetia que é "branca". A mulher foi encaminhada à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), onde segue custodiada à disposição da Justiça.

A polícia ressaltou que ela manteve a conduta discriminatória na unidade, solicitando que fosse atendida exclusivamente por um delegado de pele branca.

Em entrevista à TV Bahia, a vítima, identificada apenas como Hanna, disse que Gisele a chamou de "lixo" e disse, olhando nos olhos dela: "eu sou branca".

"Eu fiz uma venda e retirei o balde um cliente. No momento que eu passei, ela falou: 'Vai mais um lixo'. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e deu uma 'escarrada' em mim. Ela correu e eu perdi ela de vista. Ela teve problemas com outras pessoas e o segurança estava tentando tirar ela do evento", detalhou a vítima.

Além disso, a polícia acrescentou que a mulher manteve a conduta discriminatória ao chegar na delegacia. Ela solicitou que fosse atendida exclusivamente por um delegado de pele branca.

Conforme apurado pela TV Bahia, a suspeita foi identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos. Ela é do Rio Grande do Sul e veio à capital baiana a turismo. Não se sabe há quanto tempo ela estava na cidade.

3. Qual a relação entre ela e a vítima?
O contato entre Gisele e Hanna ocorreu na festa. A vítima, que preferiu não mostrar o rosto, destacou que foi alvo de ofensas racistas quando passou pelo local onde a turista estava. Não há registro de qualquer interação anterior entre as duas.

4. A mulher permanecerá presa?
Gisele passará por audiência de custódia nesta sexta-feira (23), quando um juiz vai avaliar a legalidade da prisão e se ela deverá permanecer presa temporariamente.


A turista foi detida no evento, mas, segundo Hanna, se dependesse da segurança da festa, ela nem teria sido levada à delegacia. A vítima também criticou a polícia, afirmando que o agente responsável por atender a ocorrência queria que as duas fossem para a delegacia na mesma viatura.

"(...) Mas eu disse que eu não iria porque, se fosse o contrário, eu estaria no porta-malas e ainda sairia algemada. Eles tiveram toda a paciência do mundo e ela saiu no tempo dela. Ela ficou se coçando e dizendo que aquele lugar não era para ela", destacou.

A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), onde a ocorrência foi registrada e a turista segue presa.

5. Quais as penalidades previstas em caso de injúria racial?
Como o crime foi equiparado ao de racismo, que é inafiançável e imprescritível, a pena passou a ser de dois a cinco anos de prisão.

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