Oferta de banana cai 15% e preço sobe 20% no Ceará

Publicado em 19/02/2020, às 07h58
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O Povo Online

Segundo maior produtor nacional de bananas, o Ceará tem sofrido, neste início de 2020, com inflação e queda na produção da fruta em regiões importantes como o Vale do Jaguaribe e Cariri. Nas Centrais de Abastecimento do Ceará (Ceasa), por exemplo, o valor médio do quilo (kg) do produto subiu 20% entre novembro de 2019 e ontem. Além disso, a oferta do produto já caiu até 15%, segundo o analista de mercado da Ceasa, Odálio Girão. Para produtores ouvidos pelo O POVO, o grande responsável pelo desempenho negativo é a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos nos bananais do Estado, medida que entrou em vigor há pouco mais de um ano, por meio de lei estadual 16.820/2018.

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Mesmo o Ceará sendo destaque no cultivo da fruta, a queda na produção tem forçado o Estado a adquirir banana de Pernambuco, como forma de suprir a demanda local. A oferta menor, inclusive, já traz impactos ao consumidor, que vê a fruta cada vez mais cara nas gôndolas de supermercados de Fortaleza.

Em pesquisa direta no comércio, O POVO apurou que o quilo (kg) da banana prata já chega a custar R$ 5,99 em estabelecimentos da Capital, como o Extra localizado na avenida Aguanambi. Em outros locais, como o Pinheiro Supermercado da av. Monsenhor Tabosa (R$ 5,59) e GBarbosa da Rua Ildefonso Albano (R$ 5,19), a fruta também supera a marca de R$ 5, ficando abaixo deste patamar, dentre os locais pesquisados, apenas no Cometa da Av. Antônio Sales, onde o produto sai por R$ 4,78.

 Para se ter ideia da evolução do preço, levantamento do O POVO mostra que o kg médio da fruta ficou 20% mais caro na Ceasa de Maracanaú, o que reflete na precificação nos supermercados. Em novembro do ano passado, o valor do kg das bananas pacovan e prata estava, em média, a R$ 1,50. No boletim de ontem, o preço médio dos produtos estava a R$ 1,80.

A falta de pulverização adequada torna o Ceará menos atrativo aos demais produtores brasileiros, conforme ressalta Luiz Roberto Barcelos, sócio-diretor da Agrícola Famosa e presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas (Abrafrutas). "Regiões como o Cariri têm grande potencial para o cultivo da banana e da cana-de-açúcar, que também utiliza a pulverização aérea. Com essa restrição, porém, há perda de competitividade", diz.

Barcelos explica que a pulverização convencional é ineficaz porque não atinge corretamente a parte de cima da folha de bananeira, deixando os bananais mais expostos a doenças como a sigatoka amarela, causada por fungos. "Nesta época de chuvas, a situação fica ainda pior", destaca. Em caso de contaminação das plantações, as perdas de produção variam de 50% a 100%.

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya não poupa críticas à proibição da pulverização aérea no Ceará, afirmando que a lei estadual é um "retrocesso ao desenvolvimento econômico local". Segundo ele, a medida tem impactado fortemente na produção da fruta. "Somos o único estado do País com essa restrição, e o resultado é que nossos bananais, inclusive aqueles voltados para exportação, estão com pragas e doenças em decorrência da falta de pulverização adequada".

Saboya pondera, ainda, que respeita a boa intenção da lei estadual que proibiu a pulverização aérea, mas que, na prática, os resultados não são animadores. "Na questão da produtividade, o drone poderia ser uma alternativa, mas também não é permitido. Outro detalhe é que os proprietários de bananais, na tentativa de minimizar pragas e doenças, estão utilizando funcionários com pulverizador costal, o que deixa o trabalhador rural mais suscetível à contaminação".

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