Flávio Gomes de Barros
"Brasília está evoluindo, a olhos vistos, do surrado 'toma lá, dá cá' para 'você me livra, eu te livro e todos nós nos livramos'. Um método se abastece do dinheiro público e o outro abusa das brechas que garantem a impunidade geral, mas ambos têm a ver com corrupção e mobilizam mundos e fundos, tudo e todos, em torno de 'negociações'.
LEIA TAMBÉM
Na capital do País, 'negociações' têm outros nomes ou expressões, costumeiros principalmente na boca e nas canetas de comentaristas, analistas e críticos. Um desses apelidos é 'acordão', outro é 'vai dar em pizza' e o resultado é o mesmo: conversa-se muito e, no final, todos se acertam. Mas em ano eleitoral fica bem mais difícil.
Neste momento, há uma tentativa de 'negociação' entre Supremo, Congresso e Planalto em torno de uma ampla e difusa pauta que passa por emendas parlamentares, penduricalhos nos três Poderes, os muitos tentáculos do Banco Master e o 'dízimo' apartidário do INSS.
Com tantas frentes, interesses, medos, as eleições vindo aí e a PF mantendo o passo sem dó nem piedade, qualquer acordão ou pizza está cada mais difícil e o grito da moda é 'salve-se quem puder', ou melhor, 'salvem quem puderem'. O que tem mais chance é o que une todos eles: os penduricalhos, que somos nós que pagamos.
O Supremo está despindo a toga de salvador da Pátria e os ministros desfilam à paisana em gabinetes, reuniões, encontros e 'negociações', e os mais 'políticos' entre eles nem sequer escondem o foco: salvar o colega Dias Toffolli a qualquer custo.
Até o filho do presidente da República, o Lulinha, teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados, tanto pelo ministro André Mendonça, do STF, quanto pela CPMI do INSS. Entretanto, o tratamento a Toffoli, seus irmãos e a empresa da família é mais, digamos, cuidadoso.
O mesmo Mendonça, que tem sido discreto e efetivo e pôs as investigações do Master nos eixos, livrou os irmãos de Toffoli de depor na CPI do Crime Organizado, como suspeitos de serem 'laranjas' do ministro. E o decano Gilmar Mendes, com seu voluntarismo incurável, suspendeu as quebras de sigilo, não de Lulinha, mas da empres dos Toffoli.
Brasília, porém, tem suas regras de 'negociações', 'acordões' e 'pizzas', que têm mão dupla e custo alto e não podem valer para um lado só. Até onde o Supremo vai jogar tudo fora a favor de Toffoli, que tem à disposição o processo legal, as armas de defesa e todos os canais para explicar tudo, direitinho, ao distinto público?
Se há um “acordão” neste caso, não é entre poderes, mas intramuros no Supremo, que, além de se lambuzar com uma “pizza” mal assada, fecha os olhos para os privilégios que Alexande de Moraes usa em seu favor. A corte, assim, está adulterando um velho grito de guerra para criar o 'todos por uns e esses uns contra todos e a instituição'.
E, afinal, Senado topa um acordão contra o impeachment de Toffoli?"
LEIA MAIS
Os argumentos de Inácio Loiola em favor do turismo alagoano Renan Filho e Jorginho Melo voltam a se confrontar JHC candidato ao Senado? É o que diz seu pai, João Caldas... Reputação de Moraes e Toffoli morreu com o caso Master