Flávio Gomes de Barros
Jornalista William Waack:
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“As eleições já produziram dois zumbis políticos, um Executivo sem condições de governar e um STF sem condições de operar. Uma vitória de Lula no segundo turno (improvável, mas não impossível) prolongaria duas agonias.
A principal causa da perda de governabilidade do Executivo é o fim do lulopetismo, claramente expressado nas eleições. Há movimentos populistas que sobreviveram a quem lhes deu o nome (o peronismo é o melhor exemplo), mas o ciclo de Lula se fechou. Sem que esteja muito claro o que virá depois – antipetismo apenas não formará governo algum.
No distorcido sistema de governo brasileiro, um presidente emparedado por esmagadora maioria de oposição no Congresso e pelo uso de emendas parlamentares será um personagem pior que a Rainha da Inglaterra. Essa, pelo menos, é uma figura que sempre comandou respeito.
A ala de força no STF perdeu as eleições nas quais apostou boa parte da própria sobrevivência. Nos seus termos mais amplos, o repúdio que as urnas demonstraram em relação ao Supremo tem a ver com um poderoso símbolo. A Corte não é mais vista como guardiã de democracia ou da luta contra a corrupção. Ao contrário, e isso é gravíssimo (se é injusto ou não, pode-se debater)
Essa ala tentou algo muito difícil, lutar contra o que se poderia chamar de 'memória coletiva da Lava Jato'. Ela persiste no sentido de que os poderosos no Brasil nunca são punidos (a Lata Jato trazia essa esperança) e que os privilegiados da alta burocracia estatal sempre sairão vencedores, ampliando seus privilégios e ferramentas de poder.
De fato, ela não entendeu que o antagonismo na questão das investigações do Master não era simplesmente qual facção do STF favorece qual grupo político, como se fossem dois grupos equivalentes. Trata-se de um tipo de embate no qual uma imensa parcela do público cobra condutas em linha com um 'senso comum de moralidade e ética, que não se vê no comportamento de alguns integrantes da corte.
Ondas como a que se verifica neste momento sugerem a permanência de um mal maior, que são a persistência de forte desigualdade social e estagnação na faixa de renda média, os combustíveis de longo prazo no sentimento de frustração e desencanto. Piorados por um sistema político em descrédito e instituições como o Judiciário idem.
É o que ajuda a entender o fato de Jair Bolsonaro ter sido um grande cabo eleitoral de Lula em 2022, e Lula está sendo um grande cabo eleitoral de Flavio Bolsonaro em 2026. Sim, consolida-se a percepção de que estamos chegando ao fim do ciclo iniciado com a saída do regime militar e a Constituição de 1988. Em parte, acelerado por circunstâncias externas às quais costumamos dar pouca atenção.
Não está claro para onde vamos.”
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