Flávio Gomes de Barros
Texto de Nuno Vasconcellos:
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“Divergência, como se sabe, é parte do processo político, mas há situações que exigem sensatez e que deveriam ser levadas em conta pelas lideranças.
Há limite para tudo — e já está mais do que claro que a polarização atual não produzirá, daqui por diante, resultados melhores do que produziu até agora. O Brasil está cheio de problemas, que terão que ser enfrentados pelo próximo governo, seja qual for o resultado das urnas. São problemas que não se resolvem com a troca de acusações que tem dominado o ambiente político nos últimos anos.
O país, como é público e notório, passa por momento delicado — e o que não faltam são problemas a serem resolvidos. Há, para começo de conversa, uma crise institucional que terá que ser enfrentada com maturidade e serenidade — sob pena de tornar a situação ainda mais difícil do que já está.
Há, também, problemas graves no campo da economia, que exigem soluções difíceis e não podem mais ser remendados ou enfrentados à base de reformas superficiais e de gambiarras, como têm sido nos últimos anos. É voz geral, por exemplo, que a situação fiscal do país chegou a um ponto insustentável — e a falta de medidas que promovam o equilíbrio urgente das contas públicas pode inviabilizar a administração federal.
A impressão que se tem é a de que os dois lados sabem o que precisa ser feito para consertar a situação. O que parece faltar, no entanto, é a disposição política para enfrentar as consequências de decisões que, embora necessárias e urgentes, tendem a produzir resistências e desgastes imediatos.
Pelo bem do país, os políticos poderiam pelo menos aproveitar a campanha para o segundo turno para mostrar ao público os programas de governo e as propostas para solução desses problemas, que não foram mostradas até agora.”
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