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Orbán reconhece derrota, e Hungria encerra 16 anos de premiê no poder

Publicado em 12/04/2026, às 18h05
- Reprodução/Youtube

José Henrique Mariante/Folhapress

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Em votação histórica, a Hungria compareceu em massa às urnas neste domingo para definir seu próximo Parlamento e decretar o fim da era Viktor Orbán, primeiro-ministro do país desde 2010 e ícone da ultradireita global. Com quase metade das urnas apuradas, o Tisza, partido do opositor Péter Magyar, lidera a votação, alcançando 135 das 199 cadeiras da Casa.

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"Obrigado, Hungria", escreveu Magyar no Facebook, seu canal preferido de comunicação durante a campanha. Minutos depois, também pelos redes sociais, Orbán reconheceu a derrota e congratulou o adversário, um gesto que muitos consideravam inimaginável antes do pleito.

O comparecimento de quase 78%, mesmo sem contar os votos do exterior, é recorde, comprovando como Magyar, 45, um político pró-Europa e Otan, mobilizou o país com uma campanha calcada em indícios de corrupção da gestão de Orbán, 62, assim como na situação econômica do país.

A Hungria ostenta a maior inflação acumulada da Europa desde a pandemia, em 2020, 58%, mais que o dobro da registrada na média da União Europeia, 28%. A ostentação de riqueza de oligarcas ligados a Orbán também incomodava e movimenta sobretudo os eleitores jovens, público que vinha garantindo a popularidade de Magyar nos últimos meses.

Em uma tentativa de última de hora de movimentar a campanha do aliado, o presidente americano, Donald Trump, prometeu ajudar na recuperação econômica da Hungria. O vice, J.D. Vance, cumpriu visita oficial a Budapeste na última semana, afirmando que a UE interferia na eleição.

Sinal dos tempos, o destino de Orbán também preocupava o presidente russo, Vladimir Putin. O primeiro-ministro é uma das únicas pontes que lhe restam na UE. No capítulo mais recente da relação, escrutinada por uma série de denúncias na imprensa nas últimas semanas, o húngarou vetou um empréstimo de € 90 bilhões do bloco para a Ucrânia, provocando indignação em Bruxelas.

Os adversários votaram quase na mesma hora, no começo da manhã. "Nenhum patriota pode ficar em casa", afirmou Orbán, replicando o tom nacionalista de sua campanha, voltada para questões externas.

Magyar, por sua vez, reiterou o caráter decisivo da eleição. "O destino da Hungria está sendo decidido hoje e por um longo tempo." O advogado e eurodeputado, que já fez parte do Fidesz, legenda conservadora de Orbán, lembrou que "fraude eleitoral é um crime sério".

Comentava os indícios da participação de serviços de inteligência russos na campanha de Orbán. Segundo avaliação da comissão do Parlamento Europeu que monitora o retrocesso democrático na Hungria, além de desinformação, as atividades patrocinadoras por Moscou poderiam incluir compra de votos, como ocorreu no ano passado na Geórgia, intimidação de eleitores e até mesmo episódios de violência.

"Ninguém deve ceder a qualquer provocação. Temos certeza de que, se esta eleição ocorrer de forma tranquila e dentro da lei, ela será vencida por Tisza e pela Hungria", afirmou Magyar, citando o nome do partido que fundou.

"A Hungria tem uma Constituição, e ela precisa ser respeitada. A decisão do povo precisa ser respeitada", disse Orbán, quando questionado sobre eventuais tentativas de desqualificar o pleito.

Até o fechamento das urnas, às 19h locais, não foram registrados maiores incidentes.

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