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O que o futuro nos reserva

Publicado em 04/10/2026, às 17h00

Flávio Gomes de Barros

Jornalista Ricardo Corrêa:

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“Qualquer que seja o vencedor da disputa eleitoral, no primeiro ou no segundo turno, o Brasil sairá das urnas com feridas expostas e com desafios que se apresentam bem maiores do que antes da corrida que dominou o País nos últimos meses. A lama espalhada durante a campanha está por toda a parte. E isso será o maior desafio do vencedor.

Ao longo da campanha, embora não só por causa dela, produziu-se um desarranjo institucional profundo, com disputas entre os Três Poderes que tendem a se agravar e que têm hoje como ponto central uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo menos metade da Corte está sob suspeita. Com citações relacionadas ao caso Master e seus desdobramentos, há necessidade urgente de que boa parte de seus integrantes sejam investigados.

Isso se dá em meio a uma guerra interna que transbordou para a eleição e produziu decisões que deixaram também o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exposto. Isso levará à necessidade de uma revisão geral dos procedimentos, para que não valha o direito eleitoral de cada um dos onze integrantes do STF, dos sete ocupantes de cadeiras no TSE e de cada um dos juízes eleitorais que decidem sobre os processos eleitorais no País.

Seja Lula ou Flávio Bolsonaro, o vencedor assumirá o cargo sob a sombra de escândalos que o circundam. O senador, pela suspeita de desvio de recursos para o filme do pai, Jair Bolsonaro, incluindo o polêmico financiamento feito por Daniel Vorcaro. O presidente, em razão da intrincada relação do filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger e a suspeita de tráfico de influência junto ao governo. O primeiro foco de qualquer um deles, em vez de ser no enfrentamento dos problemas do País, terá que ser debelar crises jurídicas e afastar acusações. Isso tende a produzir um governo fraco.

Também boa parte do Congresso estará sob suspeita, em razão das revelações que não param de explodir sobre a relação de parlamentares com Daniel Vorcaro e outras figuras implicadas. Isso pressionará, fora do ambiente eleitoral, por uma gigantesca articulação em prol de um acordão que possa livrar a todos, manchando ainda mais a imagem das instituições de Estado brasileiras.

Também a polarização, que levará a um Congresso conflagrado e, muito provavelmente, com um centro ainda mais reduzido, tende a ser um obstáculo, sobretudo nos primeiros momentos do futuro governo. Com risco, inclusive, de que soluções mais radicais sejam acolhidas nas eleições para os comandos das duas Casas do Congresso, em fevereiro.

Somam-se a isso os problemas fiscais reconhecidos até mesmo por integrantes do governo, que forçarão um debate sobre impopulares cortes de gastos e uma inevitável discussão sobre o peso das emendas parlamentares que asfixiam o orçamento do Executivo. Isso tornará a relação entre governo e Congresso ainda mais instável e vai descambar para um Judiciário pendurado em problemas.

Com a tempestade perfeita sob responsabilidade de um Lula desgastado e sem mais perspectiva de poder e de um Flávio enrolado e sem experiência, o eleitor tem pouco motivo para ter esperança."

 

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