TNH1 com Assessoria
Depois de 287 dias de internação, chegou o momento que Ricardo Luiz Sombra Dias e a família esperavam havia mais de nove meses. O paciente recebeu alta da Unidade João Fireman, na Santa Casa de Maceió, e voltou para casa, onde seguirá com os cuidados necessários para seu diagnóstico de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). A liberação médica ocorreu no fim de agosto.
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A internação de Ricardo foi marcada por diferentes etapas do tratamento, intercorrências e pela preparação necessária para que ele pudesse seguir os cuidados no ambiente domiciliar. Ao longo desse período, voltar para perto da família era um desejo que ele manifestava com frequência.
“O maior desejo dele era ir para casa. Por vários motivos, entre intercorrências e dificuldades com o plano de saúde, durante todo esse tempo ele não conseguiu ter os cuidados de que precisava em casa”, conta o enfermeiro Sidney Rodrigues.
Para tornar esse retorno possível, profissionais de diferentes áreas trabalharam juntos durante a internação e na preparação para a alta. Participaram desse acompanhamento equipes da Clínica Médica, Enfermagem, Nutrição, Psicologia, Humanização, Serviço Social, Fisioterapia e Fonoaudiologia, entre outras.
“Depois de muita luta e de todo um trabalho com a equipe multiprofissional unida, conseguimos a desospitalização dele. Era algo muito importante para todos e, principalmente, para o Ricardo”, afirma Sidney.
A supervisora de Enfermagem Gabriela Ferreira, que acompanhou Ricardo na Unidade João Fireman, lembra que uma internação tão longa não envolve apenas o tratamento da condição que levou o paciente ao hospital. Ao longo dos meses, há mudanças no quadro clínico, na rotina e também na vida da família.
“O paciente de longa permanência passa por altos e baixos durante a hospitalização. A alta do seu Ricardo representa todo o trabalho realizado pela equipe e os cuidados que tivemos com ele. Ele volta para o convívio familiar de maneira segura”, destaca.
287 DIAS DE CONVIVÊNCIA
Quem também viveu de perto esses nove meses foi Athina Dias, esposa de Ricardo. A rotina do hospital passou a fazer parte da vida do casal e, com o tempo, a convivência diária aproximou a família dos profissionais que participavam dos cuidados.
Ao lembrar desse período, Athina fala dos dias difíceis, mas também do acolhimento que encontrou na unidade. “Foram longos dias, dias bons e dias ruins, mas sempre tivemos todo o suporte da equipe. Nunca ficamos na mão. Somos muito gratos por todo o cuidado e pela humanização. Ricardo sempre quis ficar aqui, nunca quis ser transferido para outro lugar”, conta.
O agradecimento dela vai além das equipes diretamente envolvidas no tratamento. “Só tenho a agradecer aos enfermeiros, médicos, ao fono, ao físio, ao pessoal da copa, da limpeza e a todos que fizeram parte desse momento com ele”, acrescenta.
Depois de tantos meses de convivência, a despedida também ganhou um significado especial. No dia da alta, profissionais que acompanharam Ricardo se reuniram para vê-lo ir embora. Uma de suas músicas preferidas foi escolhida para marcar o momento, e a equipe seguiu com ele pelos corredores até a ambulância que o levaria para casa.
Para Athina, a volta para casa encerra uma etapa difícil da vida do casal e deixa a lembrança das pessoas que estiveram ao lado deles durante os 287 dias. “Espero não precisar voltar tão cedo, mas voltaria tranquila, porque sei que seria bem recebida e ele seria bem cuidado”, resume.
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