Pedro do BBB: como episódios de estresse podem impactar a gestação?

Publicado em 19/01/2026, às 21h41
- Foto: Redes Sociais

Revista Crescer

Ler resumo da notícia

Só se fala nisso! O vendedor ambulante Pedro desistiu do Big Brother Brasil e pediu para deixar o reality nesse domingo (18), após uma participação polêmica no programa. Durante uma semana, o participando falou repetidas vezes sobre ter traído a esposa Rayne Luiza, que está grávida, fora da casa. Antes de deixar o BBB 26, ele ainda tentou beijar Jordana dentro da dispensa. A participante expôs aos demais colegas que se sentiu incomodada com o ocorrido.

Enquanto a rejeição por Pedro parece crescer fora da casa, o perfil de Rayne já acumulou mais de 500 mil seguidores. Mesmo assim, a jovem, que está grávida de sete meses da primeira filha, já anunciou, há alguns dias, que tenta preservar a gestação. Recentemente, ela apagou fotos com Pedro e retirou o "esposa" da bio. “Estou vivendo um momento delicado de grande exposição. Estou cuidando de mim, da minha família e da minha saúde emocional. Agradeço muito o carinho e o respeito. Falarei no momento certo”, disse ela.

Na gravidez, é natural — e esperado — que a mulher se sinta mais melancólica e ansiosa. No entanto, quando o ambiente externo não favorece e ela passa por perdas, problemas no relacionamento ou meses enfrentando uma situação difícil, essa montanha-russa de emoções também pode acabar afetando o bebê.

Impactos do estresse na gestação

"Na gestação, a mulher está em íntima conexão com o bebê. Não só por causa da troca de nutrientes e de oxigênio, mas também por causa da troca das emoções e dos hormônios", explica a ginecologista e obstetra Camille Rocha Risegato, da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR).

Em outras palavras, é como se o feto, ainda em formação, funcionasse como uma "esponja" que absorve as emoções da mãe. Quando ela está feliz, calma e relaxada, o bebê também pode sentir esses sentimentos positivos. Por outro lado, emoções negativas, como o estresse constante, podem afetar o bebê de formas mais sérias e duradouras.

O nosso corpo libera hormônios diferentes, dependendo do que estamos sentindo. No caso das grávidas, esses hormônios atravessam a placenta, chegam até o bebê e acabam influenciando o ambiente uterino.

"Quando a gente se estressa, por exemplo, libera uma série de substâncias, como o cortisol. E isso é mandado diretamente para o bebê. Então, ele vai compartilhar desses sentimentos também", diz Camille.

Ciência comprova

Já existem alguns estudos científicos, inclusive, que comprovam tudo isso. Recentemente, pesquisadores da Universidade de Cincinnati (EUA) tentaram justamente entender como o estresse durante a gravidez afeta o bebê. Depois de acompanhar 5.500 pessoas, eles observaram que ele pode, por exemplo, entre outras coisas, impactar o desenvolvimento neurológico do feto.

“Descobrimos que quando a mãe experimentava uma quantidade cumulativa de estresse durante a gravidez, havia, de fato, uma associação com a metilação do DNA no sangue do cordão umbilical, que é uma espécie de modificação epigenética no bebê que está se desenvolvendo no útero”, diz a pesquisadora Anna Ruehlmann, uma das autoras do estudo.

Resumindo, os autores do estudo descobriram que o estresse materno pode afetar os genes do bebê, fazendo com que eles se expressem de forma diferente. Isso, é claro, pode trazer consequências para o seu desenvolvimento no futuro. É o que chamamos de epigenética.

A obstetra Camille Rocha, da AMCR, completa. "A liberação de cortisol provocada por uma situação pontual estresse pode deixar o bebê mais agitado, aumentar a frequência cardíaca, levar a um sangramento... Já o estresse contínuo pode levar a uma redução significativo de peso, com crianças nascendo menores, e favorecer o aparecimento de pressão alta na mãe, por exemplo."

O que fazer para controlar o estresse na gravidez

Algumas mudanças simples na rotina podem ajudar a tornar o ambiente menos estressante e mais leve. Olha só:

1. Mantenha uma rotina de autocuidado: isso significa tentar achar pequenas brechas durante o dia para tirar um tempinho para si. Pode ser um banho mais demorado, um intervalo para ler um livro, uma bebida gostosa antes de dormir...

2. Aposte em técnicas de relaxamento: a meditação, o yoga, o mindfullness... Tudo isso pode ajudar a acalmar os ânimos quando as coisas parecem ficar mais difíceis. Cinco minutinhos por dia já podem ser suficientes para que você se reconecte com o que importa.

3. Tenha "amigas de barriga": é muito reconfortante quando nos conectamos com pessoas que estão enfrentando as mesmas dificuldades e inseguranças que as nossas. Busque conversar com amigas que também são mães ou busque grupos de apoio (físicos e virtuais) para gestantes.

4. Acione sua rede de apoio: não tenha medo de pedir ajuda e nem se sinta inibida de compartilhar suas angústias. Quando sentir que está sobrecarregada, pare e pense: como as pessoas que estão perto de mim poderiam me ajudar a me sentir melhor?

5. Faça o pré-natal psicológico: se tiver condições para isso, o acompanhamento de um psicólogo pode ajudar (e muito). Nada como um atendimento especializado para nos guiar num momento com tantas novas descobertas e transformações.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Cabelo cai mais no calor pois lavamos muito? Como cuidar dos fios no verão? SUS vai vacinar profissionais de saúde contra dengue em fevereiro Vacinação contra dengue: veja cenário epidemiológico e quem pode se imunizar App de saúde do governo realiza mais de 1,7 mil teleconsultas em um mês