Pele de idosa começa a escurecer após uso de antibiótico; entenda

Publicado em 06/05/2026, às 22h14
- The New England Journal of Medicine

Galileu

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Uma mulher de 68 anos moradora dos Estados Unidos apresentou uma alteração cutânea rara após iniciar um novo tratamento com o antibiótico minociclina. Em pouco tempo, áreas de seus antebraços e de suas canelas passaram a exibir tonalidades que variavam entre azul-escuro, roxo e até preto intenso. O quadro foi diagnosticado como hiperpigmentação tipo II.

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Em artigo publicado na sexta-feira passada (1º) na revista The New England Journal of Medicine, os pesquisadores responsáveis pelo caso relataram que a paciente começou a notar as primeiras manchas cerca de duas semanas após iniciar o uso diário de 100 miligramas de minociclina, prescrita para tratar rosácea - um tipo de vermelhidão leve na pele. Em seis semanas, a descoloração já era evidente nos braços e nas pernas, além de causar alterações nas laterais da língua.

Efeito colateral conhecido, mas pouco compreendido

A minociclina é um antibiótico da classe das tetraciclinas que, além de combater bactérias, possui ação anti-inflamatória — fator que contribui para seu uso no tratamento da rosácea. No entanto, o medicamento pode causar três tipos distintos de hiperpigmentação.

O tipo I costuma afetar áreas inflamadas ou cicatrizadas do rosto. O tipo II, como no caso relatado, atinge pele normal dos membros. Por fim, o tipo III provoca manchas marrom-acinzentadas em regiões expostas ao sol.

The New England Journal of Medicine

 

Embora esse efeito adverso não seja considerado extremamente raro, sua incidência exata ainda não é clara. Aquilo que torna o caso incomum é a rapidez da evolução. Geralmente o efeito se desenvolve após meses de tratamento, mas raramente pode ocorrer com cursos mais curtos. Isso contraria o padrão mais comum dos tipos II e III, que tendem a surgir após acúmulo da substância no organismo.

Os pesquisadores acreditam que o fenômeno esteja ligado ao metabolismo da droga. Seus subprodutos podem se ligar ao ferro e se acumular em macrófagos, células do sistema imunológico. Além disso, a medicação pode estimular a produção de melanina e formar complexos escuros que permanecem na pele, como destaca o portal Live Science.

Interrupção do tratamento não elimina manchas

Diante do diagnóstico, os médicos recomendaram a suspensão imediata da minociclina e orientaram a paciente a evitar exposição ao sol, já que a radiação ultravioleta pode agravar a hiperpigmentação.

Seis meses após a interrupção do medicamento, houve melhora parcial do quadro, mas as manchas ainda permaneciam visíveis. De acordo com especialistas, a reversão completa pode levar meses ou até anos. Em alguns casos, existe ainda a chance de não ocorrer totalmente.

O episódio reforça a necessidade de acompanhamento médico rigoroso durante tratamentos com potencial de efeitos adversos. Mesmo reações conhecidas podem se manifestar de forma atípica, exigindo atenção redobrada de profissionais de saúde e pacientes.

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