Pesquisa aponta que 58% dos profissionais com idade a partir de 40 anos pretendem mudar de carreira

Publicado em 03/10/2025, às 18h13
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Assessoria

Débora Mendes Leite dedicou 19 anos de sua vida à educação, atuando como coordenador escolar, em uma mesma empresa. Mas foi em 2021,quando faltavam apenas seis anos para conquistar a aposentadoria por tempo de atuação em sala de aula, que ela deixou a estabilidade de lado e decidiu investir na sua nova paixão profissional, totalmente diferente da sua área de atuação: a produção de cabrestos, um acessório em couro para cavalos.

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"Durante a pandemia, eu convivi muito com a natureza, com os cavalos, e fui desafiada e consegui fazer esse acessório. A partir daí eu coloquei no Instagram, coloquei nas redes sociais e surgiu um cliente. Foi bem interessante porque nessa época eu não sabia vender, não sabia técnicas de venda, não sabia nada de marketing, mas a partir desse cliente os seguidores começaram a chegar e eu vendi outros cabrestos e hoje a Made in Sertão comercializa para todo o Brasil", explica.

"Sempre tive o sonho de montar meu próprio negócio, minha própria empresa e ter também mais esse contato com a natureza que o trabalho ia me permitir, então, em meados de 2024, eu tomei a decisão que eu iria sair dessa empresa onde trabalhei 19 anos, iria abrir meu próprio negócio, foi e está sendo desafiador, mas a recompensa é grande", analisa a empreendedora.

Assim como Débora, muitos brasileiros estão optando por uma transição de carreira em busca de maior realização pessoal e profissional. A busca por propósito e realização tem levado cada vez mais brasileiros a reavaliarem suas escolhas profissionais na chamada “meia-idade”.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de pessoas que decidiram mudar de carreira entre os 40 e 50 anos cresceu significativamente nos últimos cinco anos, movimento que acompanha uma tendência global.

Levantamento da consultoria Korn Ferry aponta que 58% dos profissionais brasileiros nessa faixa etária pretendem mudar de carreira nos próximos cinco anos, índice superior à média mundial de 47%. Além disso, 35% já fizeram uma transição significativa, seja migrando para áreas totalmente diferentes, seja buscando funções com mais flexibilidade e qualidade de vida. Setores como tecnologia, educação e saúde lideram as preferências de quem decide recomeçar.

Faixas-pretas
Aos 40, muitos profissionais acumulam entre 15 e 20 anos de experiência, status que especialistas chamam de “faixa preta” no que fazem. Segundo estudo da AARP (American Association of Retired Persons), trabalhadores mais maduros têm alta capacidade de adaptação e são vistos como mais confiáveis pelos empregadores. Além das habilidades técnicas, acumulam competências comportamentais — as chamadas soft skills — essenciais para a atuação em equipes diversas.

Apesar das vantagens, o recomeço nem sempre é simples.  Ariane Meneghetti, professora da Estácio,  lembra que ainda há estereótipos que dificultam a recolocação, como a ideia de que pessoas com mais idade têm menor capacidade de aprendizado, especialmente em áreas que exigem domínio de tecnologias. “Existe o medo de que o colaborador não consiga se adaptar às mudanças ou reaprender. Há também a percepção de que ele estaria mais ‘engessado’ e menos disposto a se reinventar”, observa.

Outro obstáculo está na concorrência com profissionais mais jovens, muitas vezes mais familiarizados com ferramentas digitais e novas plataformas. “Isso pode gerar insegurança e sensação de ter que recomeçar do zero, com uma bagagem que nem sempre é plenamente validada”, diz a especialista.

Para minimizar essa barreira, Ariane defende que empresas promovam programas de integração e treinamento que unam gerações. “Momentos de capacitação e troca de experiências entre jovens e mais velhos são muito ricos. É uma via de mão dupla: uns ensinam, outros compartilham vivências”, explica.

Estratégias para recomeçar
Segundo a professora, a transição de carreira nessa fase exige preparação. Investir em cursos, participar de eventos e palestras, ampliar o networking e buscar grupos de discussão sobre o novo setor são passos fundamentais. “O profissional precisa entrar de fato no meio em que quer atuar, reciclar conhecimentos e enfrentar o novo. A insegurança diminui à medida que se adquire mais propriedade sobre a nova área”, aconselha.

Para os recrutadores, o que diferencia um candidato em transição de carreira é a postura diante do aprendizado e das mudanças. “A escolha recai sobre quem tem disponibilidade para ser ensinável, para vestir a camisa da empresa e inovar. O descarte acontece quando falta flexibilidade, resiliência e vontade de sair da zona de conforto”, conclui Ariane.

E lembra da Débora?

Mais do que uma mudança de rota, a transição de carreira após os 40 pode ser uma oportunidade de alinhar experiência, habilidades e novos objetivos; ela é prova de que nunca é tarde para começar de novo!

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