Pesquisa investiga hormônio que 'desliga' a fome e pode ajudar no combate a obesidade

Publicado em 04/12/2020, às 14h03
Reprodução -

G1

Um hormônio que pode contribuir para reduzir a ingestão de alimentos e aumentar a sensação de saciedade em ratos mostrou resultados semelhantes em humanos e primatas não humanos, segundo um novo estudo publicado nesta terça-feira (01) na revista "Elife Sciences".

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A pesquisa realizada na Universidade Columbia, em Nova York, identificou um hormônio chamado Lipocalin-2 (LCN2) que pode ser usado como um possível tratamento em pessoas com obesidade cujos sinais naturais de saciedade não funcionam mais.

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Segundo os pesquisadores, o hormônio atua como um sinal de saciedade após uma refeição, levando os ratos a limitar a alimentação. Os animais que receberam a ingestão da LCN2 por longo prazo, reduziram a ingestão de alimentos, prevenindo o ganho de peso, sem causar desaceleração no metabolismo.

Em uma segunda etapa, o estudo foi levado para um centro de diabetes em Munique, na Alemanha, para identificar os efeitos em humanos e verificar se uma dose do hormônio seria capaz de ultrapassar a barreira hematoencefálica - uma estrutura de permeabilidade altamente seletiva que protege o Sistema Nervoso Central (SNC) de substâncias potencialmente tóxicas presentes no sangue, essencial para função metabólica normal do cérebro.

Os resultados em humanos foram parecidos com os resultados apresentados em camundongos. O hormônio é produzido principalmente por células ósseas e é encontrado naturalmente em camundongos e humanos.

Resultados em humanos

Em um primeiro momento, a equipe analisou dados de quatro estudos diferentes de pessoas nos Estados Unidos e na Europa que tinham:

- peso normal
- sobrepeso
- obesidade.

As pessoas em cada estudo receberam uma refeição após um jejum noturno. A quantidade de LCN2 no sangue antes e depois da refeição foi analisada.

Os pesquisadores descobriram que houve um aumento nos níveis de LCN2 após a refeição em quem estava com o peso normal, o que coincidiu com a satisfação que sentiram após comer.

Por outro lado, os níveis de LCN2 diminuíram após uma refeição em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Com base nessa resposta pós-refeição, os pesquisadores agruparam as pessoas como não respondentes ou respondentes.

Os que não responderam ao aumento no hormônio após uma refeição, tendem a ter uma circunferência da cintura maior e marcadores mais elevados de doença metabólica - incluindo Índice de Massa Corporal (IMC), gordura corporal, aumento da pressão arterial e da glicose no sangue.

As pessoas que perderam peso após a cirurgia de redução do estômago tiveram uma sensibilidade restaurada ao hormônio, mudando seu estado de não respondentes antes da cirurgia para respondente depois.

Prevenção de ganho de peso

A equipe explorou também se o tratamento com o hormônio pode reduzir a ingestão de alimentos e prevenir o ganho de peso.

Para realizar essa análise, eles trataram macacos com LCN2 por uma semana. Com o tratamento, eles observaram uma diminuição de 28% na ingestão de alimentos em comparação com o período anterior ao tratamento.

Os animais também comeram 21% menos do que aqueles que não receberam tratamento com o hormônio.

Após uma semana de tratamento, as medições de peso corporal, gordura corporal e níveis de gordura no sangue mostraram uma tendência de declínio nos animais tratados.
Para os pesquisadores, os resultados mostram que o hormônio pode reduzir o apetite sem apresentar toxicidade e estabelecer as bases para o próximo nível de teste de LCN2 para uso clínico.

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