Petroleiro grego nega envolvimento na mancha de óleo no Brasil

Publicado em 02/11/2019, às 14h11
Divulgação Delta/Tankers -

Uol

A empresa gestora Delta Tankers Ltd, do petroleiro grego Bouboulina, "principal suspeito", segundo as autoridades brasileiras, pelo derramamento de óleo que atingiu o litoral do Nordeste, negou neste sábado estar envolvida nessa poluição.

LEIA TAMBÉM

O navio, que fazia o trajeto Venezuela à Malásia, "chegou ao seu destino sem problemas durante a viagem e descarregou toda a sua carga sem perdas", afirmou um comunicado da empresa.

A Delta Tankers afirma que uma busca completa em material nas câmeras e sensores de todos as suas embarcações não revelou evidências de que o navio "tenha parado para fazer qualquer tipo de operação entre dois navios, vazado óleo, desacelerado e desviado do seu curso, na passagem da Venezuela para Melaka, na Malásia".

A empresa reiterou que o navio partiu da Venezuela em carga em 19 de julho, indo diretamente, sem paradas em outros portos, para Melaka, na Malásia, onde o navio descarregou toda a sua carga sem falta.

A Delta diz que o material obtido a partir da análise de seus equipamentos de segurança será compartilhado com as autoridades brasileiras quando entrarem em contato com a empresa sobre a investigação, acrescentando que esse contato não foi feito.

Passagem pela Venezuela

Segundo a PF (Polícia Federal), o Bouboulina atracou na Venezuela em 15 de julho, "onde permaneceu por três dias" antes de seguir rumo a Singapura e à África do Sul. O óleo encontrado no litoral do Nordeste é de origem venezuelana, segundo a Petrobras.

A exportação de petróleo pela Venezuela, que tem uma das maiores reservas do mundo, tem sido duramente afetada pela imposição de sanções econômicas pelos EUA, que não reconhecem o governo de Nicolás Maduro. Com as sanções, são poucos os navios-tanque que se arriscam a transportar petróleo venezuelano —ao menos formalmente.

De acordo com informações disponíveis no site da Delta Tankers, empresa dona do Bouboulina, o navio foi construído em 2006 e capacidade bruta de carregamento de 84,8 mil toneladas.

Hoje, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que tomou todas as medidas que podia. Ambientalistas criticam a demora do governo em reagir aos vazamentos. "Todas as medidas que nós pudemos tomar na época foram tomadas", disse.

"Tenho que conversar com o Bento [Albuquerque, ministro das Minas e Energia], com o [ministro do Meio Ambiente, Ricardo] Salles e com o general Fernando [Azevedo e Silva, ministro da Defesa]. Tenho que conversar com os três. São eles que vão decidir passo a passo", disse em referência aos ministros de Minas e Energia, Meio Ambiente e ao ministro da Defesa.

"Uma vez identificado e comprovado, tem a legislação nossa, tem a legislação internacional no tocante a isso também. Lá atrás, vocês devem lembrar, para transporte de petróleo, vários países fizeram a exigência que os navios tivessem casco duro para evitar um acidente. Essa legislação é complexa e eu prefiro não falar sobre ela", disse Bolsonaro.
 

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Paciente cai do forro do teto dentro de enfermaria de hospital no Rio de Janeiro Disque Denúncia divulga cartaz para encontrar goleiro Bruno, foragido da Justiça STF decide se mantém prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Bolsonaro é internado em hospital após apresentar calafrios e vômitos