Joyce Maia*
Ameaças, agressões, perseguição, invasão de residência e até simulação de uso de arma de fogo. Em pouco mais de 24 horas, oito ocorrências de violência contra a mulher foram registradas pela Polícia Militar em diferentes bairros de Maceió. Os casos, registrados entre o domingo (9) e a madrugada desta segunda-feira (10), mostram diferentes formas de violência durante e após relacionamentos, e resultaram em prisões e autuações na Central de Flagrantes.
LEIA TAMBÉM
Dentre os episódios registrados, no Benedito Bentes, um homem foi preso depois de, segundo a vítima, descumprir uma medida protetiva de urgência. O ex-companheiro teria tentado entrar na residência, arremessado uma pedra contra o imóvel, chutado o portão e feito ameaças, inclusive dizendo que pegaria uma arma. Ele foi localizado pela Polícia Militar e autuado, em tese, por ameaça e descumprimento de medida protetiva.
Também no Benedito Bentes, outra mulher relatou ter sido agredida pelo ex-companheiro, que teria puxado seus braços durante uma discussão. Apesar de não apresentar lesões aparentes, a vítima foi encaminhada com o suspeito à Central de Flagrantes. O homem acabou autuado, em tese, por ameaça no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
Trapiche da Barra
No Trapiche da Barra, uma mulher denunciou o companheiro por ameaça de morte. Segundo o relato, o homem teria afirmado: “Se não ficar comigo, te mato”, além de dizer que ela não ficaria com mais ninguém.
O suspeito reagiu à prisão, desacatou os policiais durante o deslocamento e tentou danificar o interior da viatura. Ele foi autuado em flagrante e permaneceu preso.
Rio Novo
Outro caso foi registrado no bairro Rio Novo. Segundo a vítima, o companheiro bateu a cabeça dela contra a parede.
O homem foi conduzido à Central de Flagrantes e acabou preso por lesão corporal no contexto da Lei Maria da Penha.
Cidade Universitária
No bairro Cidade Universitária, uma mulher afirmou ter sido agredida pelo companheiro. O suspeito foi localizado enquanto conduzia uma motocicleta e, segundo a Polícia Militar, tentou fugir e resistiu à abordagem.
Após ser detido, a vítima relatou que havia sido agredida com empurrões e socos e que o homem também teria danificado objetos e estruturas da residência. Ele foi autuado por vias de fato no contexto de violência doméstica e familiar.
Ainda no bairro, outra ocorrência terminou com a prisão de um homem após a companheira confirmar aos policiais que havia sido agredida. O suspeito foi conduzido à Central de Flagrantes e preso por lesão corporal no contexto da Lei Maria da Penha.
Levada
Na Levada, uma mulher e a filha denunciaram um homem por violência doméstica. Conforme o relato, ele teria dado um tapa na boca da filha e tentado arrombar a porta da residência da ex-companheira, além de proferir ameaças e ofensas.
O suspeito foi localizado nas proximidades do Mercado da Produção, onde, segundo a PM, resistiu à prisão. Durante o transporte, ele teria desacatado e ameaçado os policiais.
Canaã
Já no bairro Canaã, um homem foi autuado por ameaça após, segundo a vítima, simular estar armado durante uma discussão após o fim do relacionamento. Ele teria retirado alguns pertences da residência e afirmado que voltaria para “acertar as contas”.
Questionado pelos policiais, o homem admitiu ter simulado estar armado e que teria utilizado um frasco de perfume para isso.
Em todos os casos, os envolvidos foram encaminhados à Central de Flagrantes para os procedimentos cabíveis. As ocorrências foram analisadas pelas autoridades policiais, que determinaram as respectivas autuações conforme as circunstâncias relatadas e apuradas em cada caso.
A violência doméstica
É importante destacar que a violência doméstica e familiar contra a mulher não se resume à agressão física. De acordo com a Lei Maria da Penha, ela também pode ser psicológica, sexual, patrimonial e moral. Ameaças, humilhações, perseguições, controle da vida da vítima, destruição de objetos, retenção de documentos ou dinheiro, ofensas e qualquer conduta que cause medo ou constrangimento também podem configurar violência. O agressor pode ser companheiro, ex-companheiro ou outro familiar, e a violência pode ocorrer mesmo sem que exista convivência na mesma residência.
Como denunciar
Mulheres que estejam sofrendo violência ou se encontrem em uma situação de risco podem procurar uma unidade policial para registrar a ocorrência e buscar orientação sobre medidas de proteção. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. Para denúncias e orientações relacionadas à violência contra a mulher, existe o 180, canal nacional de atendimento à mulher. Também é possível denunciar no 181, canal de disque-denúncia anônima (não emergencial).
A denúncia pode ser feita pela própria vítima ou por pessoas que tenham conhecimento da situação. Caso exista uma medida protetiva de urgência, qualquer descumprimento deve ser comunicado imediatamente às autoridades. Busque ajuda.
* Estagiária sob supervisão
LEIA MAIS