Polêmica sobre o solo de Maceió ganha novo ingrediente

Publicado em 13/01/2026, às 07h00

Flávio Gomes de Barros

O engenheiro Marcos Carnaúba revelou, ao participar do podcast “Estruturando soluções”, que o bairro da Ponta Verde, área mais nobre de Maceió, estaria correndo risco de afundamento.

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A entrevista, citada aqui em “Contextualizando”, obteve grande repercussão e foi contestada pelo engenheiro e geólogo Abel Galindo Marques, também neste blog, estabelecendo grande polêmica.

Marcos Carnaúba, professor especialista em cálculo estrutural e ex-presidente do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, não pretende se manifestar, mas encaminhou a “Contextualizando” um documento com 42 páginas, endossando seus argumentos.

Trata-se de um artigo técnico, subscrito por Thyago Anthony Soares Lima, Magdalena Stefanova Vassileva, Zhuge Xia e Sílcio Jorge Coelho Simões, intitulado “Além da Mineração de Sal: Caracterização de Pontos Críticos de Subsidência Urbana em Maceió”.

Considerando o enorme texto e a quantidade de gráficos ilustrativos do documento, transcrevemos apenas as suas conclusões”

“Os resultados deste estudo demonstram que o afundamento do solo em Maceió é um problema multifacetado que vai além dos impactos da extração de sal-gema.

O mapa operacional de afundamento, desenvolvido através da integração de sensoriamento remoto por radar, mapeamento SIG direcionado e análise abrangente do deslocamento do solo entre 2016 e 2024, revela um padrão espacial consistente em toda a cidade.

Essa metodologia permitiu a identificação e caracterização de sete áreas principais (A1–A7), cada uma exibindo morfologias e interconexões distintas.

A área A1, localizada na região central, tem formato de tigela e é circundada pela zona alongada de A2. Zonas alongadas adicionais estão presentes ao longo da lagoa (A3/A2), enquanto uma ampla área de afundamento gradual se estende pela região costeira (A3/A4). Zonas estreitas de afundamento são observadas perto da periferia da cidade (A4/A5), e movimentos superficiais e descontínuos ocorrem nos fundos dos vales e nas encostas (A6/A7).

A integração dessas análises técnicas com dados sobre a composição do solo e atividades antropogênicas sugere que as zonas de risco emergem da interação entre substratos frágeis, topografia e intervenções humanas, como a extração de água subterrânea ou o aumento da carga superficial.

O afundamento do solo transcende as fronteiras administrativas; sua extensão e intensidade são determinadas por formas de relevo naturais, tipos de solo, uso intensivo da água e expansão urbana. As consequências são imediatas e significativas, incluindo o aumento dos riscos costeiros e lagunares. Enfrentar esses desafios exige uma transformação nas estratégias de gestão urbana.

As políticas públicas devem abranger áreas além dos locais de mineração, implementar monitoramento contínuo em vez de limites estáticos e promover a coordenação interdepartamental.

A metodologia apresentada neste estudo é transferível para outros contextos, pois ilustra o valor da integração de diversas ferramentas analíticas para a tomada de decisões baseadas em evidências.

O gerenciamento eficaz da subsidência do solo utilizando essa abordagem é essencial para aumentar a resiliência de Maceió.”

Outro documentó técnico encaminhado ao blog por Marcos Carnaúba foi um estudo de 17 páginas, elaborado por técnicos árabes e publicado no "Journal of South American Earth Sciences", reforçando os termos contidos no trabalho já citado, de Thyago Anthony Soares Lima, Magdalena Stefanova Vassileva, Zhuge Xia e Sílcio Jorge Coelho Simões - intitulado “Além da Mineração de Sal: Caracterização de Pontos Críticos de Subsidência Urbana em Maceió.

Esse outro trabalho ressalta:

"...áreas com crecimento residencial e comercial, como a ária Maceió e da Cidade Universitária, são mais suscetíveis a taxas mais altas de 'subsidência'. Isso fressalta a necessidade crítica de práticas mais sustentáveis de gestão das águas subterrâneas e estratégias de planejamento urbano que priorizem a estabilidade ambiental..."

Há informações de que esses dois estudos são do conhecimento do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, e da sua equipe técnica.

 

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