Polícia Federal quer pedir quebra de sigilo de fundo que financia 'Dark Horse'

Publicado em 05/06/2026, às 12h53
PF desconfia que recursos bancaram despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA - Foto: Divulgação

Folhapress

Ler resumo da notícia

A Polícia Federal pretende pedir aos Estados Unidos a quebra de sigilo do fundo que recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sob a justificativa de financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
 
Uma das desconfianças na PF é de que esses recursos bancaram despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA, onde ele vive desde fevereiro de 2025, e também o que se vê como tentativa de coação de autoridades brasileiras por meio da gestão Donald Trump.
Recursos da Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao dono do Banco Master, teriam sido direcionados a esse fundo no Texas para o alegado patrocínio.
 
O fundo Havengate Development Fund, que teria recebido parte dos R$ 61 milhões para financiamento da obra, é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo.
Para que haja a quebra de sigilo, é necessária a cooperação das autoridades locais com a Polícia Federal e a autorização da Justiça dos Estados Unidos.
 
A PF também pretende usar a Difusão Prata da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) nessa e em outras investigações relacionadas ao Master. Diferente da Difusão Vermelha, que foca a localização de foragidos, ela tem como finalidade identificar, localizar e reter o patrimônio de pessoas investigadas.
 
O Brasil é um dos 53 países que já aderiram à iniciativa, de um total de 196 que compõem a Interpol. Em entrevista à GloboNews na terça-feira (2), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse ver necessidade de instaurar um inquérito que apure o envio de recursos de Vorcaro aos EUA sob a justificativa de financiar 'Dark Horse'.
 
Ele afirmou, na entrevista, que nas últimas semanas a PF analisou representações encaminhadas ao órgão e, depois, enviou uma delas para que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre o conteúdo, o foro adequado e quem seria o relator do processo.
 
Questionado se esse seria um inquérito à parte das demais apurações que tratam do Master, ele respondeu: "No entendimento da nossa área técnica, sim". Andrei disse que vê três caminhos para essas investigações: o primeiro é que elas sejam agregadas ao caso do Master, que estão sob a relatoria de André Mendonça, no STF.
 
Outro caminho é que elas fiquem sob a relatoria de Alexandre de Moraes, que conduz investigação sobre as ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
No último dia 26, Moraes pediu que a PGR se manifeste sobre a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (ambos do PL) no inquérito que apura a atuação de Eduardo.
 
Uma terceira possibilidade, diz o diretor-geral, é que elas sejam distribuídas livremente, por sorteio, a outro integrante do Supremo. O pedido de quebra de sigilo seria feito depois que a PF eventualmente obtivesse o aval do STF (Supremo Tribunal Federal) para a abertura de novo inquérito.
 
A PF pretende entender se os recursos —que teriam sido enviados a pedido do dono do Master— foram, de fato, usados para financiar o filme ou se uma parte serviu para custear a vida de Eduardo no país, para onde ele se mudou alegando perseguição de Alexandre de Moraes.
 
O ex-parlamentar já se queixou de contas bancárias bloqueadas, inclusive de sua mulher.
Eduardo foi para os EUA no ano passado. Ele é réu no STF (Supremo Tribunal Federal) em uma ação sob acusação do crime de coação, que tem a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
 
O fundo americano foi criado em dezembro de 2020. No Instagram do escritório de advocacia, uma foto mostra Eduardo abraçado a Calixto em 2023, evidenciando a proximidade entre os dois.
 
Nas redes, Calixto se apresenta como especialista em imigração, com mais de 20 anos de experiência na área e passagens pelo serviço americano de cidadania e imigração e pelo Departamento de Estado.
 
Quando foi revelado, pelo site Intercept Brasil, o financiamento de "Dark Horse" com recursos de Vorcaro, Flávio Bolsonaro disse em nota que era "falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro". "Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos." Calixto não tem se manifestado.
Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Bebedeira acaba em briga por causa de dinheiro e homem atira contra outro, em Maragogi Homem é morto a tiros em frente de casa no Centro de Paripueira Polícia investiga quadrilha interestadual especializada em roubos e furtos de SUVs e caminhonetes "Tudo 2": dupla abre fogo após grito de apoio ao Comando Vermelho e deixa homem ferido, em Maceió