Polícia investiga furto a residência de tio de Suzane Richthofen depois de morte

Publicado em 28/01/2026, às 10h55
- Reprodução/Luara Leimig/TV Vanguarda e Arquivo pessoal

g1

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A Polícia Civil de São Paulo investiga uma denúncia de furto à residência do tio de Suzane von Richthofen que foi encontrado morto na sala da casa, no Campo Belo, na Zona Sul de São Paulo.

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Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram chamados ao imóvel do médico Miguel Abdalla Neto na noite da terça-feira (20) e constataram que tinha sido invadido.

Alguns móveis haviam sido levados, incluindo uma lavadora de roupa, um sofá e uma cadeira, além de documentos e dinheiro. O sobrinho que registrou o BO não soube dizer quanto de dinheiro havia. Uma das portas da casa tinha sido arrombada. A perícia foi acionada.

Abdalla, de 76 anos, foi encontrado morto no último dia 9. Desde então, há uma disputa entre Suzane, que ficou conhecida por mandar matar os pais em 2002, e uma prima dele, que tenta na Justiça o reconhecimento e dissolução de união estável com ele.

As duas queriam ficar responsáveis pela liberação do corpo do médico, mas foi a prima, chamada Carmem Silvia Gonzalez Magnani, uma empresária de 69 anos, que conseguiu a autorização e liberou o corpo.

Segundo policiais ouvidos pelo g1, nem a prima e muito menos Suzane mantinham contato ou tinham boa relação com Abdalla.

A morte dele é investigada como suspeita até a liberação dos resultados dos laudos da Polícia Técnico-Científica. A principal hipótese é de morte natural por infarto.

Herança do médico

O médico não era casado oficialmente e não tinha filhos. Ele deixa ao menos dois imóveis: o sobrado onde morava no Campo Belo - e foi achado morto - e um apartamento no mesmo bairro.

Pelo direito sucessório, os sobrinhos têm direito à herança do tio. Nesse caso, Suzane e o irmão, Andreas von Richthofen, teriam que entrar na Justiça para pleitear isso.

Abdalla foi tutor de Andreas após os assassinatos do casal Manfred Albert e Marísia von Richthofen. Ele tinha 15 anos na época e está atualmente com 38. O tio administrou os bens dele até que completasse 18 anos.

Excluída da herança dos pais

Ainda não há confirmação oficial se o médico deixou algum testamento com os nomes de outros eventuais herdeiros, o que poderia dificultar o acesso dos sobrinhos a buscar a herança.

Em 2015, a Justiça de São Paulo oficializou a exclusão de Suzane de herdar o patrimônio dos pais dela. À época ficou decidido que os bens de R$ 10 milhões, entre imóveis e aplicações financeiras, ficassem somente com Andreas.

O g1 não conseguiu falar com Suzane para comentar o assunto. A advogada de Andreas informou que ela e seu cliente não falariam do caso.

Reconhecimento de união estável

A equipe de reportagem também não localizou Carmem para saber se ela têm interesse nos bens deixados por Miguel. Há mais de dois anos ela luta na Justiça para ter reconhecida uma união estável com o médico entre 2011 a 2015. E no mesmo processo, pede a extinção dela.

A mulher alega que morava com o primo num apartamento dele como casal e não como parentes. Abdalla sempre negou ter tido qualquer relacionamento amoroso com Carmem.

Meses antes de a prima entrar com a ação judicial pedindo o reconhecimento dessa suposta relação, Miguel tinha acionado a Justiça. Ele pediu a reintegração de posse do apartamento. Alegou que tinha deixado Carmem morar de favor no imóvel em 2011 porque ela estava com dificuldades financeiras.

Como o lugar estava vazio, ele não se opôs. Mas, em 2023, segundo o processo, pediu o apartamento de volta à prima, que não quis sair. Depois, ela passou a sustentar que tinha um relacionamento amoroso com Miguel, caracterizando união estável, apesar de nunca ter mostrado um documento disso. Ao invés disso, mostrou fotos dela com o primo.

Em 2024, a Justiça obrigou Carmem a deixar o imóvel, o que foi cumprido por ela, e determinou que ela pagasse um aluguel de mais de R$ 4 mil mensais a ele pelo período que morou no prédio. Enquanto isso, o processo de união estável ainda segue sem uma decisão judicial.

Procurados, os advogados de Miguel não quiseram comentar o assunto. O g1 procurou também Carmem, que não respondeu até a última atualização desta reportagem.

O caso Richthofen

Há 23 anos, o engenheiro Manfred, de 49 anos, e a psiquiatra Marísia, de 50, foram encontrados mortos na mansão onde moravam, também no Campo Belo.

A polícia descobriu que Suzane havia mandado seu namorado à época, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, matarem o casal com golpes de barras de ferro.

Os três tentaram simular um latrocínio (roubo seguido de morte), mas depois confessaram o crime e foram presos. O motivo seria a oposição dos pais ao namoro de Suzane com Daniel, além do interesse na herança da família. Andreas não estava na casa e não sabia do plano.

Quatro anos depois, Suzane, Daniel e Cristian foram condenados pela Justiça, mas cumprem atualmente as penas em regime aberto.

Suzane e Cravinhos condenados

Em 2006, Suzane, Daniel e Cravinhos foram julgados e condenados pelos assassinatos de Manfred e Marísia. Ela e o então namorado receberam penas idênticas de 39 anos de prisão. Cristian foi punido com 38 anos.

Atualmente, os três cumprem o restante das penas em liberdade. Os tempos das punições deles acabaram reduzidos depois.

Suzane deixou a prisão em 2023 e passou a trabalhar com produção e venda online de chinelos, bolsas e pulseiras. Ela, que antes se chamava Suzane Louise von Richthofen mudou o nome para Suzane Louise Magnani Muniz, adotado desde que se casou em 2023 com o médico Felipe Zecchini Muniz. Ambos têm 42 anos e moram em Bragança Paulista, interior paulista. Em 2024 tiveram um filho.

Daniel saiu em 2018 e hoje, aos 44 anos, atua na customização de motos. Cristian foi solto em 2025 e trabalha com o irmão; ele tem 49 anos.

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