Policiais do Departamento de Narcóticos do Espírito Santo são presos sob suspeita de tráfico de drogas

Publicado em 30/03/2026, às 16h00
Unidade do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) em Vila Velha (ES) - Divulgação / PCES

Folhapress

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Dois policiais civis do Espírito Santo estão presos sob suspeita de desviar drogas apreendidas em operações contra facções. Outros três agentes são investigados e foram afastados das funções.

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Segundo as investigações, os policiais deixavam de registrar nos boletins de ocorrência parte da droga apreendida e a repassavam, mediante propina, à própria organização criminosa alvo da operação.

O caso, que tramita sob sigilo, foi revelado no domingo (29) pelo programa Fantástico, da TV Globo.

Os policiais detidos são do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc). Um deles é Eduardo Tadeu, preso em novembro do ano passado na primeira fase da Operação Turquia, realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil. A defesa dele disse à reportagem que não se manifestaria.

Em depoimento exibido na reportagem, um policial civil não identificado afirmou que Eduardo Tadeu seria o maior traficante do Espírito Santo.

O delegado-geral da Polícia Civil do estado, José Darcy Arruda, afirmou em rede social que a corporação solicitou à Promotoria acesso ao depoimento. Disse ainda que acionou a Corregedoria para apurar quais providências foram adotadas pelo policial que prestou o depoimento ao tomar conhecimento das supostas irregularidades.

O outro policial detido é Erildo Rosa. Ele havia sido afastado na operação de novembro e foi preso na segunda fase, deflagrada em 18 de março deste ano.

A defesa afirmou ao Fantástico que aguarda acesso à íntegra do inquérito e que não há evidências de participação do agente em organização criminosa. A reportagem da Folha de S.Paulo não conseguiu contato direto com a defesa nesta segunda-feira.

As investigações começaram a partir da prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico na região da Ilha do Príncipe, em Vitória, em fevereiro de 2024.

O Ministério Público afirma ter identificado "indícios consistentes" de vínculo entre o investigado e servidores públicos, com possível cooperação ilícita em diligências policiais. A Promotoria também denunciou, no ano passado, policiais militares suspeitos de participar de um esquema de desvio e revenda de drogas apreendidas, com pagamento de propina por facções criminosas, além de lavagem de dinheiro e agiotagem.

Eles foram investigados na Operação Argos, que apurou a atuação de uma organização criminosa que, de 2021 a 2025, transformou a atividade policial em fonte de renda ilícita. A denúncia foi aceita pela Justiça Militar.

Procurada, a Polícia Militar informou que 14 agentes cumprem prisão preventiva no Presídio Militar do Quartel do Comando-Geral, em Vitória.

"A Polícia Militar do Espírito Santo não coaduna com condutas ilícitas de seus integrantes e irregulares de qualquer que seja o policial militar, e que todas as denúncias referentes aos profissionais da corporação são efetivamente apuradas", disse a corporação, em nota.

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