Policiais do Senado rastrearam escutas para Gleisi e Lobão Filho

Publicado em 21/10/2016, às 11h22

Redação

Os senadores Lobão Filho (PMDB-MA) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), investigados na Operação Lava-Jato, utilizaram os serviços de contrainteligência da polícia legislativa do Senado para rastrear eventuais escutas, segundo investigação da Operação Métis, deflagrada na manhã desta sexta-feira.

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Quatro policiais do Senado foram presos sob suspeita de embaraçar a Operação Lava-Jato.  “A deliberada utilização de um equipamento sofisticado, de propriedade do Senado Federal, utilizando recursos públicos, passagens aéreas custeadas pelo Erário e servidores concursados, em escritórios ou residências particulares, não possui outro objetivo senão o de embaraçar a investigação de infração penal que envolve organização criminosa”, diz um documento da investigação.

A investigação foi instaurada a partir de uma delação premiada feita por um policial legislativo. O colaborador revelou que em ao menos quatro ocasiões foram utilizados equipamentos do Senado e recursos públicos para fazer varreduras em imóveis funcionais e particulares de três senadores e um ex-parlamentar, alvos da Lava-Jato. O objetivo era fazer uma operação de contrainteligência. Ou seja, identificar eventuais escutas. Em pelo menos duas ocasiões, os servidores se deslocaram para as cidades de São Luiz, no Maranhã, e Curitiba, no Paraná.

Ao todo, a PF cumpriu nove mandados judiciais, todos em Brasília, sendo quatro de prisão temporária e cinco de busca e apreensão, um deles nas dependências da Polícia do Senado. Os mandados foram expedidos pela 10º Vara Federal do Distrito Federal.

De acordo com a PF,  foram obtidas provas de que o grupo, liderado pelo Diretor da Polícia do Senado, tinha a finalidade de criar embaraços às ações investigativas da Polícia Federal em face de senadores e ex-senadores. Em uma ocasião, o diretor da Polícia do Senado ordenou que os policiais da Casa intimidassem a Polícia Federal, que ia cumprir mandado  expedido pelo Supremo Tribunal Federal no apartamento de um senador.

Os investigados responderão pelos crimes de associação criminosa armada, corrupção privilegiada e embaraço à investigação de infração penal que envolva organização criminosa.

O nome da operação faz referência à Deusa da proteção, com a capacidade de antever acontecimentos.

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