☰
✕

Por que a Artemis II teve 'só' um sobrevoo pela Lua se os Estados Unidos já pousaram lá?

Publicado em 07/04/2026, às 09h56
- Divulgação/Nasa

G1

Ler resumo da notícia

Os quatro astronautas da Artemis II passaram pela Lua na segunda-feira (6), observaram regiões nunca vistas por olhos humanos e quebraram o recorde de distância da Terra. Mas não pousaram.
 
Para quem acompanhou as missões Apollo nas décadas de 1960 e 1970, pode parecer um passo atrás.
 
Afinal, os Estados Unidos já fizeram isso seis vezes. Então por que, mais de 50 anos depois, a viagem mais avançada que a NASA consegue realizar é um sobrevoo?
 
A resposta tem várias camadas, técnicas, políticas e orçamentárias, e ajuda a entender por que retornar à Lua se provou muito mais difícil do que muitos esperavam.
 
O ponto mais direto é que a nave Orion, que transporta a tripulação atual, simplesmente não tem capacidade de pousar.
 
Ela foi projetada para levar astronautas até as proximidades da Lua e trazê-los de volta à Terra com segurança, não para descer à superfície.
 
Para pousar, é preciso um módulo separado, e esse módulo ainda não está pronto.
 
A NASA tem contratos com duas empresas para desenvolver esses veículos de pouso lunar: a SpaceX, com a nave Starship, e a Blue Origin, com o Blue Moon.
 
Nenhum dos dois está disponível ainda para uma missão tripulada.
 
O pouso mais cedo que a agência projeta é em 2028, na Artemis IV.
 
O que aconteceu desde o programa Apollo
 
Depois que Neil Armstrong pisou na Lua em 1969 (e outros dez astronautas o seguiram nas cinco missões subsequentes), a corrida espacial com a União Soviética foi considerada vencida.
 
O interesse político e público pela exploração lunar caiu rapidamente, e o programa Apollo foi encerrado em 1972.
 
Nas décadas seguintes, a NASA concentrou seus recursos em órbita baixa da Terra, com os ônibus espaciais e a Estação Espacial Internacional (ISS).
 
Recolocar humanos na Lua exige, portanto, reconstruir praticamente do zero uma infraestrutura que foi desativada há mais de meio século — e fazer isso com tecnologias, exigências de segurança e estruturas de custo completamente diferentes das da era Apollo.
 
O programa Artemis começou a tomar forma em 2017, durante o primeiro governo Trump, com a meta inicial de pousar na Lua em 2024.
 
Esse prazo nunca foi considerado realista pela maioria dos especialistas.
 
Problemas com trajes espaciais, com o escudo térmico da Orion, que perdeu mais material do que o esperado durante o reingresso da missão não tripulada Artemis I, em 2022 — e com o desenvolvimento da Starship foram adiando os cronogramas sucessivamente.
 
Uma abordagem de etapas
 
A lógica por trás da Artemis II é a mesma que guiou o programa Apollo no início: testar cada sistema separadamente antes de arriscar uma missão mais complexa.
 
A Artemis I, em 2022, enviou a Orion ao redor da Lua sem tripulação.
 
A Artemis II faz o mesmo com quatro astronautas a bordo, verificando os sistemas de suporte de vida, propulsão, navegação e comunicação em ambiente de espaço profundo pela primeira vez com humanos.
 
"A missão vai confirmar que todos os sistemas da nave operam como projetado com tripulação a bordo, no ambiente real do espaço profundo", descreveu a NASA.
A Artemis III, prevista para 2027, não pousará na Lua tampouco: será uma missão de treino de acoplamento em órbita terrestre entre a Orion e os módulos de pouso privados.
 
Apenas na Artemis IV a NASA pretende colocar astronautas na superfície lunar novamente.
 
É uma progressão deliberadamente cautelosa — e que reflete o quanto a exploração espacial tripulada mudou desde os tempos em que a corrida espacial justificava riscos que hoje seriam inaceitáveis.
 
E quais são os próximos passos da Artemis II?
 
A 2ª missão do programa Artemis ainda segue em andamento. Nas próximas horas e dias, os astronautas devem deixar a esfera de influência gravitacional da Lua, realizar queimas de correção de trajetória e conduzir experimentos a bordo antes da amerissagem prevista para 10 de abril no Oceano Pacífico.
 
Veja os próximos marcos previstos da missão:
 
7 de abril: a Orion deixa a esfera de influência gravitacional da Lua. Cientistas em solo têm a chance de conversar com a tripulação sobre as observações feitas durante o sobrevoo lunar
 
8 de abril: testes de pilotagem manual e simulação de abrigo contra radiação solar
 
9 de abril: último dia completo no espaço. Tripulação revisa procedimentos de reentrada, realiza queima de correção de trajetória e veste roupas de compressão para minimizar os efeitos do retorno à gravidade
 
10 de abril: queima final de correção de trajetória, separação do módulo de serviço, reentrada com escudo térmico a até 1.650°C e amerissagem no Oceano Pacífico
Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Governadora eleita nos EUA defende que Christa Pike seja executada em cadeira elétrica Homem morre após dançar 'Stayin’ Alive' quando comemorava aniversário de 97 anos Vídeo: homens trocam empurrões, socos e pontapés durante mergulho nas Maldivas Idoso de 97 anos morre após dançar 'Stayin' Alive' durante a própria festa de aniversário