Josué Seixas/Folhapress
Moradores de Fernando de Noronha têm manifestado preocupação com os possíveis efeitos do agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã no abastecimento de serviços essenciais na ilha. Os questionamentos foram levados pela APN (Assembleia Popular Noronhense) ao ICMBio.
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O receio se intensificou após novas restrições ao tráfego no estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
O estreito, localizado entre Irã e Omã, concentra o escoamento de petróleo de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque.
Após um cessar-fogo temporário entre EUA e Irã, embarcações voltaram a circular pela região, mas novos ataques de Israel ao Líbano levaram o regime iraniano a bloquear novamente a passagem marítima.
O preço do petróleo fechou em R$ 95,20 na sexta (10) e está perto de voltar à casa dos US$ 100, patamar em que se encontrava até o último dia 7.
É um mercado do qual Fernando de Noronha é diretamente dependente. A energia elétrica da ilha é gerada a partir da queima de óleo diesel ao mesmo tempo em que o abastecimento de água depende, em grande parte, de usinas de dessalinização que utilizam energia para transformar água do mar em água potável.
Procurados para comentar o tema, o ICMBio, a administração de Fernando de Noronha, a Neoenergia e a Compesa não responderam até a publicação deste texto.
Presidente da APN, Nino Alexandre Lehnemann afirma que a combinação entre isolamento geográfico e dependência logística coloca a ilha em situação de vulnerabilidade.
Além da distância de mais de 500 quilômetros do continente, afirma, fatores como condições marítimas adversas podem dificultar ainda mais o abastecimento.
Lehnemann diz que a preocupação foi levada ao conselho do ICMBio como forma de antecipar riscos.
"Uma ruptura no fornecimento de diesel não impacta apenas veículos, mas interrompe a geração de energia e, consequentemente, o abastecimento de água", afirma.
Segundo ele, serviços hospitalares, transporte, turismo e a própria economia local também podem ser afetados caso a preocupação venha a se concretizar.
O presidente da APN diz ter questionado órgãos e empresas sobre a existência de planos de contingência para situações de crise, incluindo alternativas de geração de energia e protocolos de emergência.
A resposta, de acordo com ele, teria sido de que a Neoenergia tem um cronograma e pode suportar um prazo caso surja algum problema.
A ilha tem um único posto de combustíveis cujo armazenamento suporta até um mês de consumo.
"Por se tratar de uma ilha, trabalhamos sempre com o estoque máximo", disse à Folha o diretor do posto, Rafael Coelho. Ele não acredita na hipótese de um eventual desabastecimento.
Atualmente, o litro do diesel na ilha custa R$ 11,45 e o da gasolina, R$ 10,89. Antes do atual cenário internacional, os valores eram R$ 9,99 para o diesel e R$ 10,29 para a gasolina.
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