A Prefeitura de Limeira iniciou hoje, por volta das 6h30, o fechamento do acesso à Ponte do Esqueleto, de onde a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, foi arremessada sem a corda de segurança durante um salto de rope jump.
O que aconteceu
- Prefeitura reabriu uma vala para impedir o acesso ao local. Em nota, a gestão do município informou que a intervenção ocorre em apoio ao governo federal, responsável pela área. "O trabalho inclui o fechamento de acessos irregulares e complementa ações emergenciais já executadas anteriormente no local", diz comunicado.
- Uma intervenção mais ampla não havia sido executada anteriormente "em razão de limitações operacionais" por parte da União, afirmou o município. Após a morte da jovem, a prefeitura esclareceu que foi acionada para prestar apoio na realização dos serviços emergenciais. "A atuação ocorre após o governo federal reconhecer sua responsabilidade pela área e solicitar apoio operacional do município para ampliar a proteção do espaço até a adoção de medidas definitivas", segundo a administração municipal.
- Segurança da área é alvo de debate há anos. Logo após a morte de uma ciclista em 2024, a Superintendência do Patrimônio da União do Estado de São Paulo solicitou à Prefeitura de Limeira que realizasse o bloqueio do acesso à estrutura e que providenciasse sinalização de perigo no local.
- À época, o acesso à ponte chegou a ser fechado, mas foi reaberto. Em maio daquele ano, empresários foram à Câmara Municipal de Limeira pedir apoio dos vereadores para que empresas que atuam com esportes de aventura continuassem operando no local.
"As obras estruturais permanentes, incluindo a construção de muros de contenção, a manutenção das valetas e demais medidas de fechamento da área, permanecem sob responsabilidade do governo federal". - Prefeitura de Limeira
Governo diz estudar demolir ponte
- Ponte pertence ao governo federal e está desativada há 30 anos. A estrutura fica localizada na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy, a cerca de 7 km do centro de Limeira, em uma área rural cercada por mata e trilhas utilizadas por ciclistas, corredores e praticantes de esportes radicais.
- Após a morte, a União se reuniu com as prefeituras das duas cidades para discutir possíveis medidas relacionadas à ponte. Em nota, o governo federal esclareceu que a SPU (Secretaria do Patrimônio da União) e a AGU (Advocacia-Geral da União) estiveram na região da ponte e mantiveram reuniões com a prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad (União), e o prefeito de Limeira, Murilo Felix (Podemos), e suas equipes.
- As duas prefeituras informaram que apoiam a ideia de demolir a ponte. A prefeita de Cordeirópolis afirmou que o acesso à ponte pelo município sempre esteve bloqueado e também manifestou ao governo federal posição favorável à implosão da ponte. Já o prefeito de Limeira também informou à União as ações de contenção adotadas e manifestou posição favorável à demolição.
- Governos federal e municipais concordaram em atuar em conjunto para inibir acesso à ponte até uma solução definitiva. A Prefeitura de Limeira afirmou que vai reabrir uma vala para impedir acesso ao local e que foi posteriormente fechada sem conhecimento da administração local.
A versão de presos sobre morte de jovem em ponte
Os três homens presos pela morte da jovem afirmaram em depoimento à polícia que não sabem explicar o que motivou o erro. Os vídeos do depoimento foram obtidos pelo UOL.
Em suas oitivas, os três alegaram que o ocorrido foi uma "fatalidade". Os presos são Luís Felipe Feliciano Egoroff, 32, Maicon Fernandes Cintra, 42, e Vitor de Freitas Gonçalves, 27.
Luís Felipe e Maicon admitiram que eram os responsáveis por colocar as cordas antes dos saltos. Mas afirmaram que não conseguem se recordar de quem era a responsabilidade de checar a corda no salto que matou Maria Eduarda. Maicon detalhou que por vezes, um membro da equipe coloca e outro confere, ou um faz e o outro verifica.
Os três negaram que tenham tentado fugir do local e afirmaram que trocaram de roupa apenas porque as peças estavam sujas. Questionados sobre o paradeiro da câmera GoPro que estava com a vítima e pertencia à empresa responsável pela atividade, eles disseram não saber onde o equipamento está. A câmera continua desaparecida.
Disseram ainda que, após perceberem a gravidade do ocorrido, todos desceram rapidamente ao local. A Justiça de São Paulo converteu a prisão em flagrante do trio em preventiva (por tempo indeterminado). O advogado Rafael Gomes dos Santos, que representa os instrutores, afirmou que vai entrar com pedido de habeas corpus.