Presidente da AMA nega má-fé em divergência de dados sobre desabrigados

Publicado em 08/06/2017, às 11h08

Redação

O presidente da Associação dos Municípios de Alagoas (AMA), Hugo Wanderley, disse, durante uma entrevista coletiva concedida na manhã desta quinta-feira (8) no Palácio República dos Palmares, em Maceió, que a divergência entre os números de desalojados e desabrigados divulgados pelos prefeitos ocorreu porque as famílias foram retiradas das áreas de risco, mas voltaram à medida que as águas foram baixando.

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Os municípios do estado declararam que quase 40 mil pessoas haviam sido atingidas, entre desabrigados e desalojados pelas chuvas do mês de maio. Porém, uma avaliação minuciosa do estrago pela Defesa Civil estadual mostrou divergências nos números. O novo levantamento aponta 998 desabrigados e 348 desalojados, conforme mostrado no Pajuçara Noite, da TV Pajuçara, nessa quarta-feira (7); assista:

Hugo Wanderley nega que tenha ocorrido precipitação ou negligência por parte dos prefeitos alagoanos e afirma que o Ministério Público Estadual (MPE) é um parceiro dos municípios. "O que houve em Alagoas deveria ter sido aplaudido em todo o Brasil, uma vez que o governador Renan Filho nos avisou com uma semana de antecedência e evitou mortes em todo o Estado”, garantiu.

O prefeito disse ainda que os decretos foram necessários porque muitos dos gestores nunca haviam trabalhado com situações semelhantes às causadas pela chuva. Ele disse ainda que a AMA orientou que os prefeitos mantivessem a situação de emergência, mesmo que alguns deles tivessem a intenção de revogar os decretos. "A quadra chuvosa está apenas começando e pode ser que a chuva volte com muito mais força e cause muito mais estragos, por isso orientamos nesse sentido", justificou.

Segundo Hugo Wanderley, os municípios não chegaram a usar a verba enviada pelo Governo Federal, e os casos em que forem comprovados que os gestores agiram de má fé, devem ser apurados e os culpados punidos.

Danos

Para o coordenador da Defesa Civil Estadual, major Moisés, o pior passou, mas o desastre continua em evolução. "Esses decretos não devem ser revogados ainda porque há alguns municípios que poderão solicitar verba de forma emergencial, como o que teve a cabeceira da ponte destruída ou o abastecimento d"água prejudicado", ponderou.

A partir da próxima segunda-feira (12), a Defesa Civil deve analisar caso a caso os municípios e avaliar a necessidade da manutenção de cada decreto de situação de emergência.

Foram enviados R$ 13 milhões pelo Governo Federal a Alagoas, que poderão, pela primeira vez, serem devolvidos parcial ou integralmente.

O MPE definiu, na tarde de ontem, durante uma reunião com promotores das cidades atingidas e a Defesa Civil Estadual, que manterão a postura inicial de cobrar responsabilidades e adotar ações punitivas para gestores que praticarem má-fé ao informar números inflados de pessoas afetadas pelas chuvas.

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