Presidente de Comissão da OAB-CE compara tortura praticada por policiais a atos da ditadura

Publicado em 29/08/2018, às 10h57
No vídeo, um suposto policial segura a vítima, enquanto o outro faz a prática do afogamento simulado (tortura na qual a água despejada sobre o pano na face inunda os pulmões e a vítima sufoca lentamente). | Reprodução/Vídeo -

Redação

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, secção Ceará (OAB-CE), Deodato Neto, compara a atitude dos policiais que aparecem em vídeo torturando um adolescente, de 15 anos, aos atos realizados na época da Ditadura Militar no Brasil. O caso ocorreu na tarde desta terça-feira, 28, no bairro Bela Vista, em Fortaleza.

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A Comissão já está acompanhando o caso. "É uma prática que nunca deixou de ser utilizada por parte da Polícia", afirma Deodato em entrevista.

No vídeo, um suposto policial segura a vítima, enquanto o outro faz a prática do afogamento simulado (tortura na qual a água despejada sobre o pano na face inunda os pulmões e a vítima sufoca lentamente). O terceiro observa o crime de perto e outros dois aparecem no entorno.

Para Deodato, existe uma parte da Polícia que é criminosa. "Apesar de nunca ter ocorrido uma condenação de tortura no Ceará, esses fatos são constantes, bem como invasão a domicílios sem qualquer ordem judicial ou qualquer amparo legal. Isso se dá, principalmente, com a população mais pobre. Você não vê esse tipo de abuso com classes abastadas", conta.

A denúncia da tortura cometida por homens com fardas da Força Tática e da Companhia de Policiamento com Cães (CPCães) surgiu a partir de vídeo que começou a circular nas redes sociais na tarde desta terça-feira, 28.

A Comissão já está em contato com a família da vítima. "A situação fica bem complicada e temos que dar todo o apoio jurídico, inclusive, para todos que estão envolvidos nessa história", finaliza.

A Defensoria Pública do Estado informou que acompanha o caso. "A tortura é inaceitável. Entendemos que a situação tem que ser apurada e verificada. Constatando-se, através da investigações, que ocorreu a tortura, as responsabilidades devem ser verificadas caso a caso. A Defensoria confia na apuração por parte da CGD e na atuação do Ministério Público neste caso", diz Emerson Castelo Branco, supervisor do Núcleo de Assistência ao Preso Provisório e às Vítimas de Violência (Nuapp).

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