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O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, divulgou neste domingo as primeiras imagens suas desde que foi capturado por tropas americanas em janeiro. Nas fotos, tiradas em 25 de junho por ocasião do Dia dos Pais e só agora repassadas por correio à família, ele aparece sorridente e fazendo sinal de vitória, vestido de moletom no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, onde está preso ao lado da esposa, Cilia Flores. Em mensagem publicada em sua conta na rede X, Maduro disse à família que segue "firme" e agradeceu o apoio recebido.
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A divulgação ocorre dois dias depois de o governo da sucessora de Maduro, Delcy Rodríguez, fechar acordo com a administração de Donald Trump pelo qual a Venezuela cede aos Estados Unidos 65 bilhões de barris de petróleo — cerca de 22% das reservas do país. Trump anunciou no mesmo fim de semana que usará o petróleo venezuelano para reabastecer as reservas estratégicas americanas, hoje esvaziadas, atribuindo o esvaziamento à gestão de Joe Biden.
Maduro se declarou inocente das acusações de narcoterrorismo em sua primeira audiência, em janeiro, e classificou sua captura como um sequestro. O julgamento dele e de Flores está marcado para começar em junho de 2027; antes disso, em 17 de novembro, uma audiência vai decidir se ele tem direito à imunidade como ex-chefe de Estado — o que poderia derrubar todo o processo.
EUA atacam lançadores iranianos no Estreito de Hormuz, primeira ação militar em um mês
Forças americanas bombardearam neste domingo dois lançadores de foguetes da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) na ilha iraniana de Larak, no Estreito de Hormuz — o primeiro ataque dos EUA contra o Irã desde o fim de julho. Segundo o Comando Central americano (Centcom), os lançadores estavam prontos para disparar foguetes com minas marítimas contra a via, que concentra cerca de um quinto do petróleo transportado por mar no mundo.
O Irã confirmou mortos e feridos entre militares e civis e prometeu retaliar. A guerra entre Irã e a coalizão EUA-Israel, iniciada em 28 de fevereiro, já passou de seis meses e havia entrado em uma fase de relativa estabilidade, com Washington priorizando sanções econômicas em vez de ataques — a chamada "Operação Pária Econômico", anunciada pelo Tesouro americano. O tráfego comercial pelo estreito continua reduzido: cerca de 24 navios passaram na semana passada, ante uma média de 130 por dia antes do conflito.
Pentágono emprega influenciadores conservadores em cargos civis para amplificar Hegseth
Uma investigação do Washington Post revelou que o Pentágono contratou, sem divulgar publicamente, veteranos militares conservadores com grande audiência nas redes sociais para ocupar cargos civis — alguns deles vinculados a áreas com poder de influenciar políticas. Os nomes citados, como o coronel reformado Rob Maness (mais de 135 mil seguidores no X) e o também coronel reformado Kurt Schlichter (quase 620 mil seguidores), estão registrados no organograma do gabinete responsável por pessoal e prontidão do Departamento de Defesa, hoje sob o secretário Pete Hegseth.
O caso ganhou repercussão depois que outra influenciadora ligada ao governo, conhecida como DataRepublican, acusou publicamente um funcionário do Departamento de Estado de tentar induzi-la a divulgar documentos sigilosos — episódio que expôs que ela também era funcionária remunerada do governo. Críticos, incluindo o ex-deputado republicano Adam Kinzinger, questionam se blogueiros e comentaristas alinhados a Trump estão sendo pagos com dinheiro público para disseminar discurso partidário sem informar ao público sua ligação com o governo.
Nepal: mortos na catástrofe já são quase 800 e há mais de 2.500 desaparecidos
Cinco dias depois de uma avalanche de gelo no Himalaia provocar uma enchente devastadora na fronteira entre Nepal e Tibete, o balanço da tragédia continua piorando. As autoridades nepalesas contabilizam ao menos 794 mortos e mais de 2.500 desaparecidos, entre eles 592 estrangeiros. No Tibete, controlado pela China, o governo chinês registra 16 mortos e 546 desaparecidos.
A causa da tragédia foi o desprendimento de parte de uma geleira, que gerou força sísmica inicialmente confundida com um terremoto e liberou uma onda de água, gelo e lama que avançou por dezenas de quilômetros rio abaixo, atingindo vilarejos, hidrelétricas e grupos de peregrinos e turistas de quase 30 países. Cerca de 900 trabalhadores de usinas hidrelétricas continuam desaparecidos, presos em túneis inundados nas regiões de Rasuwa e Nuwakot.
Diante da impossibilidade de preservar os corpos que chegam às margens dos rios — só a cidade de Bharatpur já recebeu mais de 270 conjuntos de restos mortais, quase todos não identificados —, autoridades começaram neste fim de semana a fazer enterros coletivos, após um processo de fotografia, coleta de amostras de DNA e registro de roupas e marcas para eventual identificação futura.
Resgates, sobreviventes e dramas pessoais
O homem que salvou 900 crianças. Rajendra Dawadi, diretor da escola secundária Tribhuvan Trishuli, em Nuwakot, recebeu quatro alertas diferentes sobre a enchente que se aproximava e decidiu, sem hesitar, mandar os cerca de 900 alunos para um ponto mais alto. Minutos depois, um alojamento a 100 metros do rio foi engolido pela água. Uma aluna de 16 anos disse ter sobrevivido por apenas dez segundos de diferença. Ao menos 69 escolas foram destruídas ou danificadas pelas enchentes, afetando quase 19 mil crianças, segundo a ONG Save the Children.
Seis horas agarrados a uma barra de ferro. O trabalhador Ram Chandra estava dentro de um túnel de hidrelétrica às margens do rio Trishuli quando a água invadiu o local. Ele se segurou a uma barra de ferro no teto do túnel e, com um pequeno grupo de colegas, avançou passo a passo por seis horas até alcançar a saída — perderam até as roupas para a força da correnteza. Madan Singh Budha, que havia acabado de sair do turno da noite em outro túnel, escapou correndo montanha acima, agarrando-se a touceiras de grama; segundo ele, quem não conseguiu subir foi arrastado pela água. Um sobrevivente, Bhakti Ram Bohara, estima que, dos cerca de mil trabalhadores empregados nos projetos da região, apenas uma centena conseguiu sair — entre os desaparecidos está seu cunhado, cuja esposa está grávida.
A angústia da espera em Nuwakot. Sita Pandey vai todos os dias à sede da estatal de energia elétrica em busca de notícias do marido, Jiblal Adhikari, que está entre os presos no túnel da usina Trishuli 3A. Ela mantém uma esperança que definiu como de "50%", mas reconhece que ela diminui a cada hora sem contato. Equipes conseguiram, neste fim de semana, perfurar uma abertura no topo do túnel e começaram a bombear ar para dentro — mas, ao entrar pela primeira brecha aberta, os socorristas não obtiveram nenhuma resposta de dentro. A China enviou uma equipe de nove especialistas em resgate em túneis a pedido do governo nepalês.
Buscando entre os corpos. Em Bharatpur, cidade a mais de 160 km do epicentro da tragédia que hoje concentra o maior número de mortes, famílias percorrem um necrotério improvisado assistindo, em silêncio, a um telão com fotos de corpos recuperados. O jovem Biresh Kumar Sah, de 17 anos, viajou oito horas de ônibus para procurar o pai e o irmão mais novo, ambos desaparecidos; soube por um colega do pai que os dois foram vistos sendo arrastados pela enchente. "Eu sei que eles se foram", disse, "mas ainda tenho esperança". Já Ramesh Dahal procura o sobrinho de 21 anos, guia turístico que liderava um grupo de trekking em Rasuwa, e admite que a chance de encontrar ao menos o corpo dele é hoje quase nula.
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