Primeiro-ministro israelense diz ter indícios de que líder supremo do Irã está morto

Publicado em 28/02/2026, às 16h41
Benjamin Netanyahu (à esquerda) fala sobre a morte de Ali Khamenei (à direita) - Montagem UOL

Veja

Ler resumo da notícia

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou durante um pronunciamento neste sábado, 28, que há “fortes indícios” de que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Autoridades iranianas, no entanto, afirmaram que Khamenei está vivo e foi transferido para um local seguro.

LEIA TAMBÉM

No discurso em hebraico, Netanyahu disse que as forças israelenses destruíram o complexo do líder supremo do Irã, e que a ofensiva matou comandantes da Guarda Revolucionária do Irã e altos funcionários ligados ao programa nuclear iraniano.

Segundo a televisão estatal israelense KAN, que citou fontes do governo, Khamenei e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, foram alvos da ação coordenada dos EUA com Israel, que é inimigo histórico do regime dos aiatolás que comandam o país persa.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à NBC News que Khamenei e Pezeshkian ainda estavam vivos “até onde eu sei”.

“Todos os funcionários de alto escalão estão vivos”, afirmou Araghchi. “Então, todos estão agora em sua posição, e estamos lidando com essa situação, e está tudo bem.”

Uma fonte com conhecimento do assunto disse anteriormente à agência de notícias Reuters que Khamenei não estava em Teerã e havia sido transferido para um local seguro.

Os ataques também teriam mirado outras figuras importantes do regime, incluindo o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi, o secretário do recém-criado Conselho de Defesa do Irã, Ali Shamkhani, e o secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani.

O ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e um comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, foram mortos nos ataques, segundo fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, classificou o ataque como “preventivo”, ordenado para “evitar ameaças”. O presidente americano, Donald Trump, confirmou os ataques e disse que o objetivo é defender o povo americano e garantir “que o Irã não terá uma arma nuclear”.

Em resposta, o Irã lançou um ataque a instalações militares americanas no Bahrein, no Kuwait e no Catar. O regime também lançou mísseis e drones contra Israel. Ainda não há informações sobre possíveis danos.

O Ministério da Defesa do Catar afirmou que as Forças Armadas do país derrubaram vários mísseis antes que eles alcançassem seu espaço aéreo.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou a retaliação, afirmando que o país “não hesitará” em sua resposta. “Chegou a hora de defender a pátria e enfrentar o ataque militar do inimigo”, publicou o ministério em comunicado na rede social X. “Assim como estávamos preparados para negociações, estivemos ainda mais preparados para a defesa em todos os momentos. As forças armadas da República Islâmica do Irã responderão de forma decisiva aos agressores, com plena autoridade.”

Negociações fracassadas

O ataque deste sábado ocorre após o fracasso da última rodada de negociações entre EUA e Irã, vista como a possível última saída diplomática. Sobre o tema, Trump afirmou: “sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear”.

Em sequência, o presidente citou a guerra de junho de 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã.

Na quinta-feira, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.

Em relatório reservado a seus 35 Estados-membros, a agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan, no centro do país. É a primeira vez que o órgão vinculado à ONU especifica o local onde o material com grau de pureza de até 60% estaria guardado. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.

A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.

Ao mesmo tempo em que o campo diplomático encontrava dificuldades para avançar, os EUA seguiam acumulando poderio bélico ao redor do Irã. Na quarta-feira, 25, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já contava com dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate.

Ao todo, os EUA reuniram sua maior força militar no Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, em 2003.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Ataques de EUA e Israel mataram 201 pessoas e feriram 747, diz imprensa iraniana Itamaraty orienta evitar viagens a 11 países do Oriente Médio após ataque ao Irã Bairro bombardeado no Qatar virou vila argentina na Copa com mural de Messi Estudantes da rede pública de Maceió são recebidos na Embaixada Brasileira em Londres