Prisão de Temer e Moreira Franco aprofunda queda na Bolsa e alta no dólar

Publicado em 21/03/2019, às 13h38
Temer sendo conduzido pelos agentes | Reprodução -

Folhapress

A manhã foi tensa para a Bolsa brasileira. O mercado, que já abrira azedo com a proposta de reforma na aposentadoria dos militares apresentada pelo governo, desandou de vez com a prisão do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco, por volta de 11h.

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O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, abriu em queda de 0,19%. Entre 11h13 e 11h18, quando foram noticiadas as prisões, passou de 97.372,06 pontos para 96.762,88.
Às 12h30 (horário de Brasília), recuava mais de 2%, a 95.956 pontos. A queda é generalizada, mas o índice é pressionado, sobretudo, por papéis de maior liquidez, como os do setor financeiro, e também pelas ações da Petrobras. ​

A queda destoa, por exemplo, das bolsas americanas, que operam em leve alta.
O dólar, que rondava a estabilidade pela manhã, agora cai com força, 1,35%, cotado a R$ 3,818. No exterior, a tendência é de desvalorização da moeda americana.
O CDS (credit default swap, termômetro de risco-país), subiu de 161 pontos para 165 após o anúncio das investigações.

Paulo Gama, analista político da XP Investimentos, diz que as prisões desta quinta não ajudam na expectativa de que o governo adote um tom menos de campanha e mais pragmático em relação ao Congresso e aos políticos em busca da aprovação da reforma da Previdência.

"O que o Congresso esperava para ter esse avanço era que o governo conseguisse se descolar do discurso de campanha crítico à política tradicional e caminhasse para uma prática mais pragmática. Quando é preso um dos símbolos dessa política tradicional, fica mais custoso para o presidente Jair Bolsonaro fazer esse movimento", afirma.

O fato de o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ser genro de Moreira Franco, que também foi preso, entra na cota do que "não ajuda", segundo Gama.
"Tudo o que desviar o foco do Congresso, turvar o ambiente de discussão, tumular o ambiente e deixar o clima mais acirrado não ajuda na votação de uma reforma que já não é fácil de passar", diz.

Na avaliação do economista-chefe da Necton, André Perfeito, a prisão de Temer aumenta também as tensões entre a classe política e as forças da Lava Jato e do judiciário, que já era grande.
Na véspera, Maia fez duras críticas ao ministro da Justiça, Sergio Moro, e a seu pacote de medidas anticrime. O economista cita ainda a criação da CPI Lava Toga, para investigar integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) e de tribunais superiores.

"Tudo isso em conjunto evidencia que teremos maior incerteza política num momento que o presidente não está com sua capacidade de articulação plena", diz Perfeito. Pesquisa Ibope revelou que a aprovação do governo de Bolsonaro caiu 15 pontos desde a posse.

"A prisão de Temer foi um aviso em dois, como se diz no jargão de mercado. Outros nomes de peso devem ser presos ou pressionados em breve ao que tudo indica."
A Bolsa também reagiu negativamente à proposta do governo para a reforma na aposentadoria dos militares, apresentada na véspera.

"Uma das avaliações feitas é de que a economia de R$ 10 bilhões em 10 anos é muito pequena em relação à da PEC da Nova Previdência (R$ 1 trilhão). Outra é a sinalização negativa do comprometimento do governo devido às concessões estabelecidas para o grupo", disse a XP em relatório.

"O mercado viu como negativo o plano para os militares, uma vez que ele trouxe uma série de benesses para uma categoria do serviço público [...] O governo tem se apoiado na estratégia de comunicação de que a previdência gera e perpetua desigualdades esdrúxulas no país, e que por isso a mesma precisa ser reformada. Porém, com esse projeto para os militares, o governo instalou um gigantesco telhado de vidro em cima da sua principal linha retórica", escreveu a Guide.

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